'Financiamento de campanhas deve ser público'
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sábado, 23 de março de 2002
Alexandre Rocha Agência Estado 
Brasília - O financiamento público de campanhas eleitorais voltou ao centro das atenções após o escândalo da empresa Lunus, de propriedade da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL). Segundo a própria governadora, o dinheiro seria utilizado na campanha presidencial.
O financiamento público é considerado por políticos e especialistas como o melhor remédio para tornar as finanças eleitorais mais transparentes, embora não seja o bastante para acabar com as irregularidades, especialmente o caixa dois. É consenso entre especialistas que o sistema atual de arrecadação é fonte constante de falcatruas e precisa ser modificado.
O financiamento público com certeza reduziria gastos e os índices de corrupção, defende o líder do PT na Câmara, deputado João Paulo Cunha. O financiamento pela iniciativa privada perdeu o sentido, pois não há uma fiscalização efetiva por parte da Justiça Eleitoral e dos partidos, critica o advogado e ex-subprocurador eleitoral em São Paulo, Antônio Carlos Mendes.
Já o senador Sérgio Machado (PMDB), autor de projeto que cria o financiamento público, qualifica o modelo atual de maldição. Que empresa quer declarar as doações. Se o candidato ganha, seus pleitos tornam-se ilegítimos e, se perde, a empresa vira perseguida. Em abril do ano passado a proposta de Machado foi aprovada no Senado, mas até agora dormita na Câmara nas mãos de uma comissão especial.


