FINANÇAS X ELEIÇÕES - Palocci e Dilma medem forças no governo
O ministro da Fazenda Antônio Palocci mediu forças com membros do governo e com a oposição no Congresso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve que fazer elogios públicos ao ministro para acalmar o mercado financeiro por conta de informações sobre a saída de Palocci do governo. O ministro está irritado com a interferência cada vez maior da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sobre a política econômica. Palocci não arreda pé de sua posição em defesa do controle de gastos. Alega que não se pode usar um ano eleitoral no caso, 2006, quando Lula pretende concorrer a um segundo mandato para desarranjar as finanças. Dilma também não cede e insiste em que ninguém faz uma política de esforço fiscal sistemático sem problemas. Resultado: na semana passada, o ministro se recusou a comparecer a três reuniões da Junta Orçamentária a trinca formada por Casa Civil, Fazenda e Planejamento , que define os gastos do governo. Lula declarou
de forma enfática que ele é imprescindível, é seu ministro da Fazenda e está tranqüilo no posto, afastando, totalmente, assim, a possibilidade de trocar o comando da área econômica. Palocci é uma figura imprescindível para o Brasil. Todo mundo sabe o que o Palocci significa para a economia brasileira. Lula também atacou com dureza a oposição, acusando-a, veladamente, de, com a ofensiva contra Palocci, tentar provocar uma crise econômica para se beneficiar politicamente. Em novo depoimento no Congresso, desta vez na Câmara dos Deputados, Palocci se disse menos importante que a política econômica e foi evasivo ao responder a insistentes questões sobre sua permanência no cargo. Afirmou, porém, estar empenhadíssimo em manter as diretrizes fixadas por sua pasta. Foi ameno ao falar das divergências com Dilma e elogioso
em todas as menções a Lula.
É o representante maior do ministério da Fazenda, órgão que, na estrutura administrativa da República Federativa do Brasil, cuida basicamente da formulação e execução da política econômica. Deve responder junto ao governo, ao parlamento e à sociedade.
Substituiu o ex-ministro José Dirceu, que pediu afastamento para reassumir o cargo de deputado federal pelo Estado de São Paulo. Dilma é a primeira mulher a comandar a Casa Civil.
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