Finanças públicas têm situação delicada
Patrícia Zanin
De Londrina
As finanças da Prefeitura de Londrina passam por um momento delicado, com previsão de déficit mensal de R$ 2 milhões. A crise financeira deve comprometer a execução de obras, a aquisição de equipamentos e até mesmo a prestação de serviços à comunidade. Vamos fazer de tudo para manter o mínimo necessário, promete o secretário municipal da Fazenda, Jair Gravena.
O secretário, que prefere usar a palavra sinalização de déficit, diz ter a obrigação de zerá-lo. Se não houver controle, temos demanda de R$ 4 milhões a 5 milhões de déficit, analisou.
Os números preocupam. Manter a máquina pública consome entre R$ 14 milhões a R$ 15 milhões por mês, enquanto a arrecadação média é de R$ 13 milhões. Segundo Gravena, ainda não há déficit acumulado nesse ano porque nos primeiros meses de 2000, houve superávit, atribuído a arrecadação do IPTU. O secretário diz que só em fevereiro, a prefeitura arrecadou R$ 8 milhões a mais.
No mês passado, porém, os gastos foram de R$ 19 milhões, contra uma arrecadação de R$ 12,9 milhões. É um mês atípico, com despesas maiores no setor de educação, quando a gente está gastando mais com o abastecimento da rede pública e há resíduo do pagamento de férias dos professores.
Ele reconhece que a partir deste mês, é preciso dar uma segurada nos gastos públicos.Temos necessidade de pisar no freio. Não vamos autorizar compra de equipamentos e teremos de cortar gastos nas chamadas secretarias-meio. Essas secretarias prestam serviços mais internamente. Já as chamadas secretarias fins são aquelas como a saúde e a educação, que prestam serviços diretamente ao público.
Questionado pela reportagem sobre a possibilidade de a crise afetar a prestação de serviços essenciais, o pagamento de fornecedores e do funcionalismo, Gravena afirmou que, em períodos de vacas magras o município faz a manutenção, e na medida do possível, libera o implemento. Vamos cortar despesas, promete. Segundo ele, não há previsão de atraso no salário dos servidores, nem no pagamento de fornecedores.
A dificuldade de caixa afetará a execução de obras. Teríamos, por exemplo, necessidade de gastar R$ 2 milhões com construção de escolas, mais asfalto, esgoto. Mas vamos tentar viabilizar recursos de fora. Temos um orçamento votado e aprovado e não dá para aumentar impostos, nem fazer empréstimos. O orçamento da prefeitura para 2000 é de R$ 534,8 milhões R$ 15 milhões a menos do que o do ano passado.
Em 98, o município obteve recurso extra de R$ 186 milhões com a venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel. Desse total, só restam R$ 5 milhões. O destino desses recursos é alvo de investigação do Ministério Público.





