Finanças do PR preocupam, admite Lerner
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quarta-feira, 16 de julho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
O governador Jaime Lerner admitiu na última terça-feira à noite, durante uma reunião entre representantes dos Três Poderes no Palácio Iguaçu, que a situação financeira do Paraná é preocupante. Durante duas horas, Lerner sugeriu aos presidentes do Legislativo, Aníbal Khury, e do Judiciário, Henrique Lenz Cesar, a adoção de uma política de contenção e cortes de gastos a ser colocada em prática nos próximos meses.
O encontro de terça, confirmado ontem pelo presidente da Assembléia, foi preliminar e, segundo Khury, o primeiro na história política do Estado. Os chefes do Legislativo e Judiciário comprometeram-se a entregar relatórios pormenorizados sobre a situação financeira desses Poderes e dar sugestões para cooperar com as ações do governo do Estado.
A principal preocupação do Executivo apresentada na conversa, mantida a portas fechadas, foi um crescimento vegetativo de 20% ao ano nas despesas, que teria sido detectado pelos técnicos do governo. Lerner informou ainda a Khury e Lenz Cesar que, apesar da situação não ser dramática, a arrecadação está abaixo dos valores esperados e que só a folha de pagamento do funcionalismo compromete 82% do total arrecadado com o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços).
As declarações de Lerner confirmam o comprometimento de 78% do total das receitas, apontado pelo secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, e a precupação do governo com a desoneração da folha de pagamento. O dispositivo aprovado em primeiro turno pela Câmara Federal na semana passada, proibindo o repasse de verbas federais para os governos que gastem mais de 60% de suas receitas com o funcionalismo, torna o Paraná forte candidato a um bloqueio de recursos federais.
O governador expôs ainda os prejuízos que vem enfrentando com a decisão do Senado que emperrou os empréstimos externos do Estado. E aproveitou a oportunidade para tranquilizar os dirigentes do Legislativo d Judiciário e apresentar os caminhos alternativos adotados pela sua equipe. Lerner falou do empréstimo de R$ 250 milhões junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para o programa Caminhos da Educação e Produção, e do plano de venda das ações da Copel, tanto no mercado nacional como no internacional, cujo valor arrecadado vem sendo estimado em R$ 600 milhões.
A sanção dos projetos de lei que anistiam os devedores de ICMS e de IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) também foi dada em primeira mão pelo governador. Lerner teria elogiado a iniciativa e dito que o governo espera arrecadar a médio prazo R$ 300 milhões, além de incentivar a volta ao funcionamento de muitas das empresas inadimplentes. Os projetos que prevêem a anistia fiscal foram sancionados pelo governo do Estado no último dia 10.


