Curitiba - Depois de uma semana sem acordo, a Assembléia Legislativa instalou ontem as cinco Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar a gestão do ex-governador Jaime Lerner (PFL): Copel-Sercomtel, Banestado, Pedágio, Jogos Mundiais da Natureza e Paranacidade. Para conseguir a abertura das CPIs, a bancada governista teve que aceitar a participação da oposição em postos-chaves nas comissões.
Apesar de numericamente inferior, a oposição tinha um trunfo nas mãos, que colocou sobre a mesa de negociações: a maioria na CPI do Pedágio, onde tinha quatro dos sete integrantes. A costura do arranjo promoveu ainda outra mudança, esta com caráter mais político que operacional: a deputada Elza Correia, do PMDB, foi destituída da presidência da CPI Copel-Sercomtel. Cotada para presidir as apurações, por ter sido autora da proposta, Elza teve que deixar o posto porque seu nome não tinha o apoio da bancada governista.
Com o objetivo de diluir a força da oposição, o líder governista, Angelo Vanhoni (PT), permitiu que a oposição ficasse com a vice-presidência da CPI Copel-Sercomtel. Ademar Traiano, do PSDB, foi indicado para o posto. A presidência acabou ficando nas mãos de Marcos Isfer (PPS), que assim como Elza apóia o governador Roberto Requião (PMDB).
Elza não tinha o respaldo interno da bancada para comandar as investigações, e foi deslocada para a relatoria da CPI do Banestado. A tese corrente nos bastidores e que prevaleceu na montagem das CPIs é que nenhum deputado de Londrina deveria controlar as investigações do caso Sercomtel. Por ter grande repercussão em Londrina, isso poderia servir de arma política com vistas às eleições municipais de 2004.
''Meu nome representava um entrave, então abri mão para não retardar ainda mais as investigações'', disse Elza avisando: ''Dessa briga eu não desisto. Se a CPI não chegar a lugar nenhum, tem o Ministério Público'', declarou. Elza disse não acreditar que a disputa pela Prefeitura de Londrina tenha sido o pivô da mudança. ''O que houve foi uma rejeição a meu nome'', lamentou ela.
As estratégias da situação, que desde quarta-feira passada trabalha na construção de um acordo com a oposição, não foram suficientes para neutralizar completamente os adversários, que mantiveram cargos de poder nas comissões. A situação, porém, não precisou aumentar de sete para 11 o número de membros da CPI do Pedágio. Mas teve que entregar a relatoria à oposição. O chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, acompanhou as articulações finais para instalar as CPIs. Ele almoçou na Assembléia, com os governistas. O Palácio Iguaçu quer resultado nas investigações.
As CPIs só devem começar a funcionar efetivamente na semana que vem. Segundo Marcos Isfer, a CPI da Copel-Sercomtel deve ser mesmo subdividida, para facilitar o andamento das apurações. Cada subgrupo deve ficar com um assunto específico. Já o presidente da CPI do Banestado, Neivo Beraldin (PDT), disse que fará a primeira reunião amanhã pela manhã.

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