O governo está confiante que as medidas cambiais e tributárias adotadas nas últimas semanas para segurar a alta do dólar e garantir a arrecadação foram suficientes para fazer a economia entrar nos eixos e não atrapalhar o final do mandato do presidente FHC. Outra preocupação é administrar a volatilidade da economia nos próximos meses e em 2002, quando a corrida da sucessão presidencial deverá continuar gerando sustos.
‘‘Estamos voltando para os trilhos e vamos ganhar velocidade’’, afirmou o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares. No entanto, o cenário dos próximos meses depende de fatores que fogem ao controle da ação governamental, como o impacto da crise de energia na taxa de crescimento do PIB e, em consequência, nas receitas do governo. ‘‘Também contará muito o quanto as crises energética e da Argentina, somadas às eleições, vão influenciar a variação do dólar frente ao real’’, alertou o consultor de Orçamento da Câmara e ex-economista do Departamento de Finanças Públicas do FMI, José Fernando Cosentino.
A atenção já está voltada para o comportamento da taxa de câmbio porque ela afeta diretamente um ponto frágil das finanças brasileiras: a dívida líquida do setor público, que no final de maio já estava em 51,9% do PIB e deverá ultrapassar os 53% em dezembro. Além disso, a alta do dólar também prejudica o cumprimento das metas de inflação, empurrando o governo a elevar ainda mais os juros.
Na avaliação do ex-ministro e consultor Maílson da Nóbrega, o custo de atender às demandas por aumento de gastos seria maior do que o rigor fiscal. ‘‘Se as metas não forem cumpridas, o governo abriria uma nova área de incertezas, que resultaria no aumento dos juros, que por sua vez pressionariam a taxa de dólar’’, analisou. ‘‘E isso bateria indiretamente na popularidade do presidente Fernando Henrique’’, acrescentou. (A.E.)

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