KarachiQuase um mês depois de seu desaparecimento em Karachi, em 23 de janeiro, uma fita de vídeo enviada ao consulado norte-americano da cidade do sul do Paquistão não deixa nenhuma dúvida sobre a morte do jornalista norte-americano Daniel Pearl. Este correspondente do Wall Street Journal em Bombay, acompanhado de sua esposa francesa, também jornalista e grávida de seis meses, foi ao país investigar as organizações extremistas muçulmanas no Paquistão, cinco de cujos grupos foram proibidos em janeiro pelo presidente Pervez Musharraf.
A morte do jornalista, decapitado por seus sequestradores, primeiro foi anunciada por esse jornal, em seguida confirmada pelo Departamento de Estado em Washington, e por último pelos investigadores paquistaneses, que viram a fita de vídeo de mais ou menos três minutos.
Daniel Pearl foi decaptado por seus sequestradores, segundo imagens do vídeo, anunciaram à AFP fontes próximas à investigação. A fita não mostra os rostos dos autores da execução, declaram as mesmas fontes à AFP. Pelo menos duas pessoas parecem ter participado na execução, cometida ‘‘com arma branca’’, declarou um investigador.
O pricnipal suspeito, o xeque Ahmed Omar, foi detido em Lahore (leste do Paquistão) em 12 de fevereiro, e anunciou ao comparecer ante o Tribunal de Karachi, em 14 de fevereiro, que ele era o idealizador do sequestro e que o jornalista estava morto. Quinta-feira, Fahad Naseen, um dos suspeitos detidos em 5 de fevereiro junto a dois cúmplices, designou Omar como o responsável. Os três, acusados de terem enviado e-mails com fotos mostrando o jornalista no cativeiro com ameaças de morte, afirmaram desde o primeiro-momento ter atuado por conta de Omar.
Segundo seu advogado, baseando-se em uma declaração do acusado ante o Tribunal, Fahad Naseem afirmou quinta-feira que havia se reunido com o xeque Omar dois dias antes do sequestro, e que este mandou não fazer perguntas.
‘‘Omar me disse que ia sequestrar uma pessoa que fosse judia e contra o islamismo’’, disse Fahad Naseem em sua declaração, lida à AFP por seu advogado.

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