Antes símbolo de prestígio eleitoral do candidato, os grandes comícios praticamente se extinguiram nas campanhas atuais, após o fim da possibilidade de compartilhar o palanque com artistas nos chamados showmícios. Porém, para cientistas políticos ouvidos pela FOLHA, o maior acesso dos eleitores à informação levou os candidatos a priorizarem as plataformas de redes sociais e pequenos eventos que possam dar mais repercussão midiática com menos empenho de tempo e de gastos.
O showmício era uma estratégia de campanha para atrair público para os comícios, ao oferecer aos presentes shows artísticos. A estratégia foi proibida pela Justiça Eleitoral em minirreforma eleitoral promovida durante o segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que barrou também a distribuição de brindes, entre outros pontos. Desde então, os discursos eleitorais sobre palcos montados especificamente para este fim foram minguando, até praticamente não existirem mais.
Dos três principais candidatos ao governo do Paraná, apenas Gleisi Hoffmann (PT) promoveu um comício, na cidade de Ibaiti, no último dia 12. Fora isso, todos preferem fazer passeatas e carreatas e reuniões com públicos mais específicos.
O cientista político e professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Clodomiro Bannwart lembra que o showmício era uma forma para aglutinar pessoas para que o candidato pudesse defender sua plataforma de governo, mas hoje há outras ferramentas mais econômicas e eficazes com alcance maior por um preço mais baixo. "Hoje, a disputa passou para quem consegue ter mais curtidas no Facebook. Isso alcança muito mais que a presença física do candidato sobre o palanque", compara.
Bannwart lembra que esses showmícios eram promovidos para gerar imagens para os programas eleitorais, com um grande público em volta de uma praça, o candidato discursando com seus aliados. "Media um pouco a questão da força do número de pessoas que conseguiriam aglutinar. A Lei Eleitoral foi cerceando um pouco isso e foi substituída quase que na sequência pela internet", diz.
O cientista político e também professor de Ética e Filosofia Política da UEL Elve Cenci admite que o fim do showmício ajudou para o fim de comícios. "Dificilmente as pessoas sairão de casa para ouvir discurso político. Há um desprestígio da própria política", avalia.
Agora, sem as duplas sertanejas, Cenci vê dificuldade em comícios cheios, o que seria depreciativo para o candidato. "O comício é de difícil mobilização, conquista poucos votos e a campanha, agora, é por rádio e tevê. Criar fatos midiáticos que virem reportagens. Não à toa, gastam a maior parte do tempo para rádio e televisão e preparação para os debates", diz o especialista.

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