A emenda constitucional que propõe a extinção do segundo turno na eleição para prefeitos e governadores será votada quarta-feira pelo plenário do Senado. O debate em torno da proposta vem mobilizando há semanas os senadores. ‘‘Estamos todos advogando em causa própria’’, avaliou o líder do PPB, Epitácio Cafeteira (MA). Para Cafeteira, a manutenção do segundo turno é defendida unicamente pelos governadores e por candidatos apoiados pelo governo, ‘‘porque são os únicos que têm dinheiro para investir nos derrotados’’, argumentou. ‘‘Quem vai pagar é o povo’’, afirmou. O líder acredita que os governistas vão assegurar a rejeição da proposta.
O assunto tem provocado discussões apaixonadas no plenário. O senador Júlio Campos (PFL-MT), autor da emenda, comparou a eleição em segundo turno a um ‘‘massacre’’ cujo vencedor inevitavelmente será o governo. ‘‘Abram os olhos companheiros’’, alertou. ‘‘Esse segundo turno vai ser infernal’’, alertou. Para Campos, se a sua emenda for rejeitada, ‘‘todo mundo vai querer ser candidato porque assim negociará seu apoio no segundo turno em troca de cargos no governo a ser eleito’’. Campos e pelo menos mais 20 senadores são candidatos ao governo. A posição de cada um deles, contra ou favor da mudança, com raras exceções, depende das articulações que poderão fazer no Estado.
A executiva do PSDB, por exemplo, decidiu votar contra a emenda, já que o segundo turno interessa ao partido. A certeza parte da constatação de que esquerda vai preferir, numa segunda votação, o candidato tucano em vez dos que estiverem ligados ao PFL ou PPB.
Se depender da própria esquerda, porém, o assunto não seria discutido agora. O líder do bloco da oposição, José Eduardo Dutra (PT-SE), disse que não concorda com mudanças nas normas eleitorais a menos de um ano antes da eleição. Para Dutra, só quem tem dinheiro para disputar duas eleições é o governo. Ele também protestou pela ‘‘parcialidade’’ da proposta, que mantém o segundo turno unicamente para o candidato à presidência da República que não obtiver pelos menos 45% dos votos.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse que o segundo turno ‘‘significa o avanço democrático no País’’. Ele lembrou que em 1985 o então candidato à prefeitura de São Paulo, Fernando Henrique Cardoso, perdeu a eleição para Jânio Quadros por uma diferença de 3% dos votos. Suplicy foi o terceiro colocado, com 20% dos votos.

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