Pedro Livoratti
de Londrina
Representantes de sindicatos de servidores estaduais do Paraná receberam com naturalidade a decisão do governador Jaime Lerner (PFL) de suspender o recolhimento de 2% da folha de pagamento relativo ao Fundo de Serviços Médico-Hospitalares. A decisão foi tomada no início da semana depois de uma conversa do governador com os secretários da Previdência e do Planejamento.
‘‘É um reconhecimento do governo estadual, já que este fundo foi imposto. Como íamos pagar, tínhamos o direito de opinar, o que não ocorreu’’, afirmou ontem o presidente da APP-Sindicato, Romeu Gomes Miranda. A entidade foi a terceira a entrar na Justiça contra o recolhimento de 2% sobre o pagamento. O fundo foi instituído para substitur o Instituto de Previdência do Estado (IPE), em fase de extinção. Segundo o secretário da Previdência, o recolhimento está suspenso até que se chegue a um ponto final nas ações que contestam seu recolhimento.
De acordo com o presidente da APP, com a suspensão do recolhimento, os funcionários públicos tem agora um problema grave. O IPE - em fase de extinção não tem condições de prestar atendimento - e o ParanaPrevidência está com a contribuição suspensa. ‘‘É uma situação absurda. Estamos à margem da sociedade’’, criticou ele.
Para o presidente da Associação dos Servidores da Universidade de Londrina (Assuel), Itamar Rodrigues do Nascimento, o governo ter cedido significa um avanço. ‘‘Agora vamos tentar manter a suspensão do desconto’’. Segundo ele, o projeto do governo ainda não tem regulamentação. ‘‘Por isso era incoerente qualquer desconto’’, afirmou.
O presidente do Sindicato dos Professores de Londrina, Cesar Antonio Caggiani, disse que a suspensão do desconto em folha já era esperada por ser insconstitucional. ‘‘O governo não podia obrigar os servidores a pagar’’, explicou. Para ele, que foi indicado membro para o conselho administrativo do ParanaPrevidencia, a preocupação é quanto à dívida do governo estadual com o IPE, que segundo informou chega a R$ 70 milhões.

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