Fim da polarização?
A eleição para o governo estava polarizada entre Ratinho Júnior e Osmar Dias, com Cida Borghetti bem atrás fechando a raia. Com a saída de Osmar, a impressão dominante é a de que Ratinho leva no primeiro turno, confirmando seu estilo de empenhado (depois de ser o mais votado para deputado federal foi surpreendido na eleição de prefeito de Curitiba por Gustavo Fruet) mais do que predestinado. A previsão tem tudo de temerária porque são muitos os disputantes e a governadora Cida aposta no mesmo diagrama de Beto Richa em proselitismo com os prefeitos. Se ela trabalhar com Beto na eleição senatorial, recompondo-se a aliança que esteve sob risco, há condições de melhorar o desempenho e surpreender.

Já a aliança MDB-PDT, que seria de maior densidade com Requião e Osmar, com a solução de emergência do deputado federal João Arruda, tem poucas condições de prosperar até porque tais agremiações perderam a militância, que era o seu forte.

Ficamos na expectativa dos debates e do trabalho nas redes sociais: no entrevero, a mancada, um descuido de memória podem ser fatais como se deu com Angelo Vanhoni ao responder perguntinha de Taniguchi sobre o Procel e permaneceu aturdido por mais de quinze segundos no ar em estado de absoluta perplexidade.

Beto Richa é ainda o maior eleitor do Paraná? Ou o seu capital eleitoral estaria abalado por tantas denúncias? Se é forte pode nutrir a cabeça de chapa, Cida Borghetti, porque dependem um do outro mais do que nunca.

E não podemos menosprezar o estoque de baixarias que nunca deixaram de ornar as campanhas regionais, ainda mais com tantos candidatos.

Como Alvaro Dias disse que fica neutro na sucessão estadual porque o seu candidato era seu irmão Osmar sua campanha presidencial no Paraná, que tem tudo para ser vitoriosa, seguirá rumo próprio, esperando que alguns dos candidatos até o apoiem, jamais o contrário. Ele fez uma opção ideológica ao exaltar a Lava Jato e sugerir que Sergio Moro seria seu ministro da Justiça, um jogo de símbolos e metáforas que fazem parte do patrimônio pessoal do nosso senador e suas posições de independência e combate.

Pressão
Com relação ao pedágio, o melhor ganho foi a decisão de não prorrogar os contratos, o maior dos riscos. Mesmo assim a pressão para que os serviços melhorem continua, tanto que uma proposta do deputado Nereu Moura, radicalíssima, quer impedir que as filas nas praças de pedágio não atinjam trezentos metros e que os usuários não fiquem mais de 10 minutos na espera. Como obviamente essa matéria não consta dos contratos de concessão o tema irá para o Judiciário por envolver cláusula estranha nas relações entre as partes.

Há um tom anarquista ao desobrigar usuários do pagamento da tarifa e a abertura da praça só que agirá autorizada e não na marra como o líder de todos os governos fez, o Luiz Cláudio Romanelli, rompendo o bloqueio, e o que é pior, não sendo punido pelo ato selvagem, um grito primal..

Sinais
Em julho, depois dos efeitos do caminhonaço, voltaram os sinais positivos no mercado como o representado polo crescimento na área dos bens de capital e sobretudo a queda, pelo menos em 19 capitais, da cesta básica, que em Curitiba foi de 5,2%.

Os mais governistas
Um estudo científico da Universidade de Brasília revelou o óbvio: MDB, PP e PTB são os partidos mais governistas do país pelo menos nas ultimas três décadas. Tenta-se dar a esse fisiologismo explícito uma justificativa intelectual na questão da governabilidade. O que para muitos é sem- vergonhice passa a ter o tratamento de saída inspirada para viabilizar, de forma articulada, a governança.

Rigotto denunciado
Essa eleição vai ser a uma catadupa de denúncias: agora acusaram o vice de Henrique Meirelles, o gaúcho Germano Rigotto, de ter faturado R$ 2 milhões como consultor da Brasken para a área tributária, o que aparece em planilha entregue à Lava Jato por delatores da Odebrecht.

O vice
O vice de Cida Borghetti será o coronel Sergio Malucelli, dirigente da Federação das Empresas de Transporte. Dos vice nacionais por implicação ideológica temos o general Hamilton Mourão na chapa de Bolsonaro, a senadora Ana Amélia, do PP, na do Geraldo Alckmin, e a senadora Kátia Abreu em chapa puro sangue com Giro Gomes.

Auditagem
Em mais uma auditagem apurou-se que 44% dos órgãos federais pagam salários a mais. O Tribunal de Contas da União identificou pagamentos irregulares a 12.658 servidores dos três poderes. Há outros 4.380 casos suspeitos. Gasto indevido perto de R$ 730,6 milhões.

Folclore
Bento Ilceu Chimelli costumava dizer aos seus empregados que as iniciais indicavam a sua fortuna: eram justamente as da caneta BIC.

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