Uma assembléia marcada para segunda-feira, às 10 horas, no Centro Cívico de Londrina, deve colocar um ponto final na greve dos servidores municipais, que completa 20 dias hoje. Na quinta-feira, o prefeito Nedson Micheleti (PT) e o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), Marcelo Urbaneja, assinaram um documento elaborado pela Câmara de Vereadores que contém cinco propostas de negociação de reposição salarial e do desconto dos dias parados.
Através de mensagem enviada à Folha pelo Núcleo de Comunicação da Prefeitura de Londrina, Nedson agradeceu a compreensão dos servidores municipais ao entenderem o momento e buscarem o entendimento para o encerramento da greve e o retorno ao trabalho.
O prefeito também destacou, através do Núcleo, a importância da Câmara Municipal em todo o processo de intermediação e discussão dos pontos que levaram ao acordo entre a Prefeitura de Londrina e os servidores. ''O papel dos vereadores foi fundamental, sempre buscando o diálogo e a melhor forma de restabelecer a normalidade nos serviços municipais'', declarou.
Nedson disse, na mensagem do Núcleo, continuar contando com toda a dedicação e empenho dos servidores, para oferecer os serviços de qualidade que sempre prestaram à comunidade. E também agradeceu a compreensão dos cidadãos londrinenses que, apesar dos prejuízos causados pela greve, nunca deixaram de respeitar os servidores e também a administração.
A assessoria de imprensa da Câmara Municipal de Londrina também enviou texto à Folha afirmando que a expectativa dos vereadores é de que os servidores públicos municipais poderão retornar ao trabalho na próxima semana. A assesoria disse que a intermediação entre Prefeitura e Sindiserv durou três dias.
''A Câmara Municipal de Londrina, por unanimidade, preocupada com os servidores e com o restabelecimento dos serviços públicos municipais, criou uma ponte de negociação entre Sindserv e Executivo. A partir de agora, assumimos o compromisso e acompanhar, permanentemente as negociações'', disse a vereadora Sandra Graça (PDT), que ao lado dos vereadores Gláudio Renato de Lima (PT), líder do prefeito na Câmara; Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) e Tercílio Turini (PSDB) encaminharam, na tarde de quinta-feira, ao prefeito Nedson Micheleti, uma proposta anteriormente discutida com o Sindserv.
Só auxílio - De reajuste imediato, o documento assinado por Nedson e Urbaneja prevê apenas o do auxílio-alimentação, pago aos cerca de 6,5 mil servidores ativos. O benefício, que hoje é de R$ 145, seria reajustado já este mês em 16%. A reposição salarial reivindicada, de 21% referente as perdas acumuladas entre 2001, 2002 e 2004, seria negociada a cada quatro meses, período em que a prefeitura tem que prestar contas de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
A negociação ficará condicionada ao incremento na arrecadação, que será acompanhada por uma comissão de servidores. O desconto dos dias parados serão negociados com a administração após o retorno ao trabalho. ''O prefeito aceitou negociar os dias parados. Pode haver o desconto parcelado como pode não haver o desconto'', disse o vereador e líder do prefeito na Câmara, Gláudio Renato de Lima (PT).
Na avaliação do presidente do Sindserv, apesar do documento não prever um reajuste imediato, as propostas assinadas pelo prefeito representam uma vitória da categoria. ''Existe aí uma vitória dos servidores públicos municipais, porque, antes dessa paralisação, não tínhamos essa perspectiva de negociação para este ano. Hoje já existe um compromisso, este documento prevê negociação ainda este ano. Na nossa avaliação isso é uma vitória do movimento de paralisação'', disse Urbaneja.
O secretário da Fazenda, Wilson Sella, discorda de Urbaneja. Na avaliação de Sella, o acordo feito quinta-feira não representou ''avanço significativo'' ao que já vinha sendo discutido nos últimos dias entre a Câmara, os sindicalistas e a administração municipal. ''O texto da proposta reflete o que dizíamos desde o início, principalmente quanto à comissão permanente que acompanhará a arrecadação'', disse. ''Resolvemos uma questão, na verdade, política; a greve já estava se esvaziando.''

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