Representantes de entidades de classe de Londrina consultadas pela Folha são unânimes ao sugerir que o fim da greve do funcionalismo municipal depende da abertura de diálogo entre trabalhadores e administração. A greve completa hoje 33 dias e se consolida como a maior paralisação da história da Prefeitura de Londrina. Desde o início da paralisação, no dia 7 de agosto, não houve nenhuma negociação entre as partes.
Os servidores reivindicam 27,53% de reposição salarial referentes às perdas salariais acumuladas nos últimos cinco anos. O prefeito Nedson Micheleti (PT) argumenta que não há margem para negociação, já que a despesa com a folha de pagamentos extrapola os 54% da receita líquida corrente do município como limita a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
''Acredito que está havendo uma intransigência do município. Por parte da classe laboral não, porque eles querem conversar. Quem não quer conversar é o nosso prefeito. Acho que ele deveria sentar com o Sindserv e dialogar, chamar a sociedade representativa para sentar junto, a imprensa, para negociar'', sugeriu o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Uzier de Carvalho.
Segundo Carvalho, a greve já está refletindo no setor. ''Com a greve, as vendas se retraem. O servidor perde o estímulo de compra. É muito ruim'', relatou. ''Poderiam criar um conselho que pudesse analisar que Londrina não tem condição de melhorar o salário dos funcionários e explicar. É muito fácil dizer que o orçamento não permite mas tem provar, sentar para mostrar. É mal para o comércio, para a cidade e quem paga são os menos favorecidos'', concluiu.
''É uma situação preocupante e danosa de várias formas. Quem está pagando não é o prefeito nem o sindicato, somos nós os cidadãos que precisamos de serviços da prefeitura, dos postos de saúde, quem precisa de alvará, quem precisa dar andamento à construção de obras. Isso nos preocupa proque está cheirando mais uma luta de poder político'', avaliou o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Rubens Benedito Augusto. ''Tem que haver consenso entre eles, sentar de verdade seja para falar o que for, nem que seja para brigar, mas que traga a solução. Precisam chamar a sociedade londrinense para ajudá-los a resolver esse impasse'', sugeriu.
O presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), Nelson Brandão, confirmou que o setor está parado devido à greve. ''Os projetos aprovados pela prefeitura têm passagem obrigatória pelo Ceal e simplesmente pararam de aparecer os pedidos de certidão, de habite-se. Quer dizer que teve uma parada geral na construção'', constatou. ''Está terrivel em todos os sentidos. ''Quando há discórdia, as partes têm que sentar e conversar. Mesmo que não haja possibilidade de atendimento achamos que o prefeito deveria sentar e mostrar abertamente que não existe possibilidade. A cada dia que passa fica mais difícil. É muito ruim para a cidade ter uma administração onde os servidores passam a trabalhar com raiva do administrador, dos seus chefes. Passa a refletir no atendimento'', analisou. Brandão colocou as entidades associadas à disposição para ajudar na negociação. ''Se for necessário estamos dispostos a chamarmos as entidades e tentarmos um diálogo.''
Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Londrina, José Carlos da Rocha, a única saída para o impasse é o diálogo. ''Com certeza existe alguma forma de conceder alguma coisa, não o percentual pretendido pelos funcionários, mas que seja pelo menos alguma coisa. Não pode entrar em um orçamento sem prever algum reajuste. Está faltando diálogo. Essa radicalidade de ambos os lados está trazendo aos munícipes, que são os mais necessitados, os transtornos'', disse Rocha. ''A gente pede ao prefeito e aos funcionários que esfriem as cabeças e discutam o problema para chegar em uma solução.''
A Folha está tentando falar com o prefeito desde o início do mês, mas ele não retorna as ligações.

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