Fim da crise? Não
Badalação feita em torno do pagamento final de progressões e promoções do funcionalismo pode ter sugerido o fim da crise fiscal do governo Beto Richa, mas não é. Com toda a série de cuidados adotada, despesas crescem mais do que a receita, prova da existência de processo orgânico que cresce até na inércia, fenômeno comum a toda forma de Estado brasileiro em qualquer dos seus níveis do municipal e estadual ao federal.

Conforme a promessa do governo, que ficou devendo dois reajustes automáticos como segurou dois anos atrasados de promoções e progressões, assim que a receita melhorar sai o aumento. Como a despesa não perde celeridade, não há motivos para aquele balé das peças publicitárias do "ICMS na Nota" manter-se em plena animação. Quem dança, desenvolta, é a equipe gastadeira muito mais que os atores.

O corte de secretarias, que poderia ser mais extenso, foi pequeno para atender à demanda dos aspones em nome da governabilidade. Nas visitas ao interior, o respingo das vaias a Beto Richa chegam no candidato aureolado, Ratinho Júnior, que integra a comitiva. Tranquilidade para valer apenas no centro de devoção, a Assembleia Legislativa, lá onde todos juraram fidelidade no tosco interior do camburão, seria normal que muitos dos integrantes imitassem o deputado Wladimir Costa, aquele que tatuou o sobrenome do presidente junto com a bandeira do Brasil no ombro e o fizessem com o do governador como aquele fotógrafo, que se dizia da Casa Civil, o Caramori, transformando seu corpo em outdoor do chefe com o qual acabou trombando.

Mesmo com a possível retomada do consumo, como alguns sinais indicam, dificilmente a prodigalidade pantagruélica permitirá o equilíbrio entre receita e despesa. Despesas são algo como uma forma de metástase minando o organismo público. Outra questão grave está no represamento das aposentadorias que quando deslancharem cresce a crise de pessoal.

Jogo de braço
Segue o jogo de braço intrapoderes. Como é visível - e isso cada vez mais nítido - o conflito da Polícia Federal com o Ministério Público na atual fase na Lava Jato, tivemos agora uma decisão do Conselho Superior da corporação no sentido de prorrogar por mais um ano a força-tarefa no desenvolvimento de suas ações. É que ao lado do risco de cortes orçamentários e das ainda sutis trombadas com a polícia judiciária, o momento reclama vigilância. Há, como consequência, recurso do Ministério Público pedindo maior pena para Lula no caso do tríplex e ainda nova investida de Rodrigo Janot em torno da prisão do senador Aécio Neves.

No mais, a rotina da República de Curitiba é ativa, tanto que foi dado andamento do leilão de bens do doleiro Youssef alusivo a 74 unidades no condomínio hotel de Aparecida (SP).

Poti e Gaudi
O arquiteto Antoni Gaudi está para Barcelona como o Poti Lazarotto, com seus murais e painéis, para Curitiba. Na última ofensiva de vândalos e pichadores, inúmeras obras foram atingidas e desfiguradas, quase todas no centro da cidade, inclusive as assentadas em azulejo na Praça 19 de Dezembro. A prefeitura tinha prometido iniciar o restauro em 12 de julho, mas pelo jeito não se captava a extensão dos estrago, razão pela qual a tarefa foi adiada.

Uber
Na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal de Curitiba, mais um projeto de seis vereadores tenta regulamentar o Uber em aberta oposição ao decreto prefeitural. Como se não bastasse, há o pleito do vereador Jairo Marcelino que quer limitar a frota dos aplicativos à metade da atual dos taxistas, mais um esforço de reserva de mercado. Taxistas não admitiam sequer a ampliação da frota em 700 veículos feita por Gustavo Fruet. Quem se sai mal nessa batalha é a Urbs que, a despeito do seu tamanho e tempo de existência, mostrou sua inutilidade tanto na questão dos aplicativos quanto na do transporte coletivo, derrotada pela evidência da última tarifa que tira mais usuários do sistema por seu alto custo.

Promessa
Em todos os fronts administrativos, fica demonstrada a dificuldade de investimentos. Das 14 unidades programadas, apenas uma está em construção e o problema da superlotação dos distritos, que angustia a classe policial e já foi motivo de greve tornada ilegal pela Justiça, persiste como um dos maiores desafios do sistema. A passagem do Depen para a segurança reduziu o número de rebeliões, mas mantém o problema.

Blogosfera
Em 22 dias, o Contraponto, blog do jornalista Celso Nascimento, gerou mais de 100 mil visualizações, 105 mil para ser exato e com um desempenho excepcional no andamento de crises como a enrustida da hierarquia da Polícia Militar e seu oficialato contra o secretário de Segurança em função de conflitos com o comando da corporação.

Folclore
Chico Deliberador, ex-prefeito de Ibiporã, figura rigorosa, foi nomeado para administrar o Porto de Paranaguá. Desconhecia a manja impulsiva da cidade para dar apelidos e acabou, por causa de um defeito num dos olhos, mais amplo do quem o outro, levando o epíteto de "Olho de Garopa".

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