Zamboanga (Filipinas) - Sob a ordem de ‘‘buscar e destruir’’ Abu Sayyaf, novos dispositivos militares foram destacados ontem no sul das Filipinas para ‘‘fazer justiça’’ depois da morte do refém americano Martin Burnham e da filipina Deborah Yap.
Ambos, em mãos da organização islâmica há mais de um ano, morreram na sexta-feira em um enfrentamento entre tropas do Exército filipino e o grupo de guerrilheiros que os custodiava, no qual também ficou ferida a mulher de Martin, Gracia Burnham.
Segundo fontes militares, os rebeldes utilizaram seus reféns como escudos humanos quando se viram cercados pelas tropas, mas as autoridades ainda não confirmaram se as vítimas morreram por disparos do Exército ou dos próprios guerrilheiros.
Em uma entrevista coletiva ontem em Manila junto com o estado maior do Exército, a presidenta filipina, Gloria Macapagal Arroyo, afirmou que ordenou as forças militares começar uma ‘‘ofensiva total’’ contra o grupo islâmico.
‘‘Antes, os soldados tinham que ser cautelosos nos ataques devido à presença dos reféns. Agora, podem realizar uma perseguição com todas as consequências, e é o que estão fazendo’’, observou a governante.
Arroyo fez essas declarações após uma reunião a portas fechadas em Campo Aguinaldo, o quartel-general do Exército na capital filipina, com o ministro de Defesa, Angelo Reyes, e altos cargos militares. Macapagal Arroyo mostrou sua tristeza pelo trágico fim do sequestro, e prometeu que ‘‘se fará justiça’’.
Na província de Zamboanga do Norte (cerca de 890 quilômetros ao sul de Manila), onde teve lugar a falida tentativa de resgate, os militares intensificaram a busca dos guerrilheiros e deslocaram novos efetivos e equipamento militar.
Fontes militares informaram que o objetivo imediato é um grupo de cerca de 40 membros de Abu Sayyaf, entre os que poderiam encontrar-se vários líderes do grupo.
Aproximadamente mil soldados americanos continuam realizando exercícios militares no sul das Filipinas visando a terminar com o grupo islâmico, que, segundo os EUA, tem ligação com a Al Qaeda.
Em comunicado divulgado na sexta-feira, a presidenta filipina afirmou que as tropas não participaram da operação de resgate. Mas o ministro filipino da Defesa, Angelo Reyes, disse ontem a uma emissora de rádio que militares americanos ‘‘participaram de forma substancial na hora de planejar a operação’’.
Apesar do trágico desfecho do sequestro, fontes militares das Filipinas asseguraram que as manobras conjuntas continuarão como estava previsto.

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