Filipe Barros vai à Justiça para barrar 'CPMI das Fake News'
Para o deputado do PSL, comissão criada para apurar notícias falsas quer 'censurar a população que se manifesta na internet'
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de julho de 2019
Para o deputado do PSL, comissão criada para apurar notícias falsas quer 'censurar a população que se manifesta na internet'
Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha 

O deputado federal Filipe Barros (PSL-PR), vice-líder do partido na Câmara Federal, tenta barrar na Justiça uma investigação conjunta de deputados e senadores contra a disseminação de notícias falsas, conhecidas como fake news. Ele anunciou no Twitter o protocolo de um mandado de segurança no STF (Supremo Tribunal Federal) na quarta-feira (3) contra a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) autorizada no mesmo dia pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).
O parlamentar londrinense justifica o mandado afirmando que não há um objeto determinado de investigação. “Vai de supostos robôs na eleição a cyberbullying e DeepWeb”, argumenta. Ainda de acordo com ele, apesar do autor do pedido de instalação da CPI, o deputado federal Alexandre Leite (DEM-SP), ser filiado a partido aliado, quem está comemorando a investigação “é a esquerda”. “É claro que tem algo errado aí: querem calar o povo brasileiro”, escreveu o parlamentar londrinense.
Barros diz que a "CPMI das Fake News" é “um apelido bonitinho” para disfarçar a “criação de notícias falsas contra o governo, censurar a população que está se manifestando na internet e, no final, propor a 'regulamentação' da mídia (leia-se censura a liberdade de imprensa)”.
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A comissão de inquérito foi instalada com o objetivo de apurar, segundo a Agência Senado, “ataques cibernéticos que atentam contra a democracia e o debate público, além da criação de perfis falsos para influenciar as eleições do ano passado”. Também são alvos de apuração a prática de ciberbullying contra autoridades e cidadãos vulneráveis e o aliciamento de crianças para o cometimento de crimes de ódio e suicídio. Será composta de 15 deputados e 15 senadores que terão 180 dias para entregar o relatório final.
O PSL, partido de Barros e de Jair Bolsonaro, foi acusado de disseminar fake news, principalmente por aplicativos de troca de mensagens durante a corrida eleitoral de 2018. Um levantamento publicado em 26 de outubro do ano passado pelo site Congresso em Foco demonstrou que, de 123 notícias falsas encontradas por agências de checagem de fatos, 104 beneficiavam Bolsonaro e outras 19 eram prejudiciais à candidatura do atual presidente.


