Filiações sustentam guerra de partidos
Leandro Donatti
De Curitiba
A cinco dias do prazo final para mudanças partidárias, os políticos do Paraná travam uma guerra na disputa por novas filiações. Os interessados em concorrer às eleições municipais do ano que vem têm até o dia 30 para fazerem suas opções partidárias. Depois disso, resta costurar as alianças que vão dar o tom das disputas. Na briga de quem se fortalece mais, os partidos fazem plantão e oferecem espaços e candidaturas. Do êxito eleitoral em 2000 depende a sucessão estadual de 2002.
O PFL do governador Jaime Lerner, o PSDB do senador Alvaro Dias e o PMDB do senador Roberto Requião são os que mais jogam pesado na reta final. Ao fundo, partidos periféricos também se engalfinham para aumentar o poder de fogo. Lerner deixou de ser tão arredio à política e entrou de cabeça no processo de fortalecimento da sigla. O governador, que quer fazer o seu sucessor em 2002, convidou o partido a mostrar força. De uma só vez, o PFL abonou ficha de filiação de 54 prefeitos.
Ontem, nas comemorações dos 25 anos de instalação das canaletas para os expressos de Curitiba, Lerner considerou o processo como normal. O governador disse que o partido está empenhado como um todo na busca de novas filiações. O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, que o acompanhava no evento, reforçou o discurso de Lerner assegurando que o PFL não computará nenhuma baixa na Câmara Municipal.
O PSDB promete novidades amanhã em Curitiba. Teremos respostas a prováveis filiações, disse ontem, em Londrina, o presidente estadual da sigla, senador Alvaro Dias. Os tucanos tentam trazer o deputado estadual Beto Richa para o partido e fazê-lo candidato a prefeito de Curitiba no próximo ano. Temos oito estaduais, mas podemos crescer, aposta Alvaro.
Ontem, ele fez um pré-balanço da campanha de filiação desencadeada pelos tucanos e contabilizou que o partido tem agora 110 dos 399 prefeitos do Estado. O número é menor do que os 144 do PFL. Temos a maior bancada federal: são sete deputados e dois senadores. Ele ressaltou ainda a filiação de valores da intelectualidade ao partido.
O PMDB do senador Requião faz plantão permanente. A campanha por filiações começou em março e o partido promete, até quinta-feira, adesões surpresas de pré-candidatos a prefeito em colégios eleitorais considerados estratégicos. Escaldado com a derrota eleitoral sofrida em outubro do ano passado Requião perdeu para Lerner na briga pelo governo do Estado o senador busca e cobra, desta vez, apoios fiéis nos municípios. Além de filiações, o partido analisa com cuidado os pedidos de dissoluções e instalações de comissões provisórias.
O PMDB sabe que para fazer novos filiados tem, muitas vezes, de se desfazer de outros. É o preço de algumas filiações, avalia um peemedebista. A campanha pró-filiações avalizada por Requião, o presidente do diretório estadual, esquentou mais na capital que no interior. Militantes levam o slogan Meu coração tá arrependido, de crítica ao Coração curitibano, o mote eleitoral de Lerner e seu grupo político, a todos os cantos. O comando estadual do PMDB contabiliza ainda uma média de 20 a 30 filiações ao dia, nas útimas semanas. A maioria de pré-candidatos a vereador. (Colaborou Patrícia Zanin)Disputa por nomes entra na reta final do prazo para quem tenciona concorrer às eleições de 2000, de olho na sucessão estadual de 2002
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