A direção nacional do PFL decide na semana que vem, em Brasília, se dá validade ou não ao pedido de filiação feito pelo deputado federal Paulo Cordeiro (foto) ao partido. Há uma semana o deputado anunciou o seu ingresso na sigla do governador Jaime Lerner e do senador Antônio Carlos Magalhães. Desde então, cerca de 400 pedidos de impugnação foram protocolados junto à diretoria executiva.
Os motivos alegados nos pedidos de impugnação são os mais variados possíveis. Vão desde questionamentos de caráter ético e moral até acusações contra o deputado federal quando ainda presidente da Telepar. Os pefelistas contrários ao seu ingresso já encaminharam uma espécie de dossiê contra Paulo Cordeiro, que deve entrar na pauta da próxima reunião da executiva, ainda sem data definida.
O prefeito de Irati, Rodrigo Hilgemberg, foi o responsável por um dos pedidos de impugnação. Ele não se conforma com a posição política adotada por Cordeiro durante o processo eleitoral do ano passado. O deputado foi uma das lideranças políticas que defendeu a anulação da eleição que lhe conferiu vitória apertada nas urnas em 96.
O diretório municipal de Curitiba, dirigido pelo filho do ministro da Previdência Reinhold Stephanes e secretário da Administração, Reinhold Stephanes Júnior, também enviou o seu ‘voto de protesto’ contra a entrada de Cordeiro no PFL. O comando municipal já havia formalizado opinião similar a alegada na ação de impugnação.
A bancada federal do PFL evita tornar pública qualquer posição, mas estaria na sua maioria contra a filiação. Abelardo Lupion é o único parlamentar que manifestou solidariedade a Cordeiro. Nos bastidores, Affonso Camargo, Valdomiro Meger, Luciano Pizzatto e Werner Wanderer trabalham pela impugnação. Este, com razões para o silêncio. É membro da executiva nacional e qualquer manifestação antecipada lhe ‘caça’ o direito ao voto.
Indignado com as manifestações contrárias, Paulo Cordeiro, disse à Folha ontem que não teme qualquer tentativa de bloqueio à sua filiação. ‘‘Eu fui convidado pelo presidente nacional do PFL, deputado José Jorge, e pelo governador Jaime Lerner. A minha ficha foi abonada pelo ACM. E o meu ingresso no partido interessa mais ao PFL que a mim’’, disse. Segundo ele, os 70 mil votos conquistados em 94 não podem ser menosprezados.
Cordeiro afirma que não vai apresentar nenhuma defesa junto à direção nacional. ‘‘Eu fui convidado, não cabe a mim fazer defesa alguma’’, avalia. Ele culpa ainda seus adversários políticos pelos pedidos de impugnação protocolados em Brasília.

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