Filhos do poder
Poucas vezes temos visto na história brasileira tanta influência de filhos do presidente, ao ponto de um deles, vereador carioca, abrir crise interna ao atacar o ministro Gustavo Bebianno no caso do laranjal eleitoral. Na guerra dos anos cinquenta havia referências vagas a um filho do presidente, Benjamin Vargas, e na política regional houve alusões a filhos e genros de Moisés Lupion.
Na situação atual temos o senador Flavio Bolsonaro naquele caso do assessor às voltas com o Coaf e movimentações atípicas e o episódio do laranjal que atinge Bebianno e também o de Turismo, Marcelo Alves Antônio. Quem chiou foi o filho do meio, Carlos, e o prato está para ser deglutido com risco de queda de ministros.
Já choques parenterais são mais comuns como o de Pedro Collor entregando o irmão presidente, Fernando, acusado de montar rede de negócios paralela.
Ocupação
Quem é mais ocupado: o Gaeco, com as operações "Publicano", "Quadro Negro" e "Patrulha Rural", ou o ex-governador Beto Richa? É ocupação pra ninguém botar defeito.
Repeteco
Marx, a pretexto de corrigir Hegel sobre o fim da história, afirmou que a história só se repete como farsa, o que dá para concluir que no Brasil temos mais farsa do que história. Pois agora o governo paulista fez a transferência da cúpula do PCC, dentre eles Marco Camacho, o Marcola, e mais 21 integrantes da sigla, dos presídios paulistas aos federais de segurança máxima. Por precaução foram deslocados 22 mil PMs em três mil pontos estratégicos de São Paulo.
Em 2006 a transferência do pessoal do grupo ao presídio de Presidente Wenceslau provocou retaliação, com mais de 300 ataques a prédios públicos e a morte de 25 policiais, sem falar na de 505 civis. Rezemos também por imperiosa necessidade.
Volvo crê
A Volvo aqui da terra crê nos sinais de melhora da economia e anuncia, ao mesmo tempo, investimento de R$ 250 milhões na planta de Curitiba e uma geração mínima de 300 empregos. A crença é que a demanda pelos caminhões pesados deva crescer mais de 30% este ano em que pese a densidade da competição entre as montadoras.
Com os 300 empregos o quadro da Volvo chega a 3.700, bem distante dos 5.000 no cenário que precedeu a crise setorial.
Derrota símbolo
A senadora Simone Tebet foi compensada pelo seu protagonismo político ao enfrentar seu colega Renan Calheiros na eleição para presidir a Câmara Alta e que perdeu no MDB ao ser escolhida para presidir a mais alta comissão, a de Constituição e Justiça.
Novilíngua
Novilíngua como nova política nem sempre é tão nova quanto se alardeia: o discurso ameaçador de Plauto Miró Guimarães e as ponderações do Delegado Jacovós e de Luis Carlos Martins indicam por acaso novidade ou estaríamos diante de uma retaliação, inclusive indicando os parlamentares mais "gulosos", que nega qualquer sentido de transparência?
E para completar a anedota: sabe em que lugar estão as presumidas denúncias tão sigilosas ? No Portal de Transparência da Casa. Não há crise, mas pura algaravia. Pelo menos tira, por instantes, a Casa do cenário tumular.
Homofobia
A discussão desta semana no STF da análise, sob o ponto de vista penal, da homofobia injetou mais um ponto nas divergências do bolsonarismo em questões de costumes, ora em aberta controvérsia com o Poder Judiciário. É exame de caso concreto, o que permite alguma elasticidade argumentativa, mas alimenta o vitorianismo moral da moda. A cada dia um homossexual é assassinado no Brasil, e nos últimos cinco anos foram mortos 1850 LGBTS (no Paraná 80). É pelo menos a versão do Grupo Gay da Bahia.
Foco em Londrina
Muitas das ações do Gaeco se dão em Londrina como o caso da Password, Operação ZR3 e aquelas outras de sentido supra local como a Publicano. No primeiro, o Ministério Público quer ressarcimento de R$ 2 milhões por desvios de servidores municipais da Fazenda, e envolve 29 pessoas e duas empresas. A Operação ZR3 (que afastou os vereadores Rony Alves e Mario Takahashi e agora sob ameaça de nova comissão processante da Câmara Municipal) terá a segunda fase de depoimentos em março para ouvir 79 testemunhas dos 13 réus.
Folclore
Dias passados Beto Richa foi agredido verbalmente e de forma enfática por uma mulher no interior de um elevador. Esse tipo de manifestação felizmente hoje não é tão frequente como o havido com ex-ministros, jornalistas e gente do Judiciário e que marcou uma época. Dá para imaginar as possíveis agruras que o ex-governador passou em recente cruzeiro turístico.

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