Filho quer CPI sobre a morte de Jango
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quinta-feira, 30 de setembro de 2004
Agência Estado 
Brasília - O filho do ex-presidente João Goulart, João Vicente, sugeriu ontem que o Congresso Nacional instaure uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para reinvestigar as circunstâncias da morte do ex-presidente, em dezembro de 1976. Segundo ele, ''ainda restam dúvidas sobre os fatos que antecederam a morte de Jango''. Na época amigos, familiares e correligionários foram informados que o ex-presidente tinha morrido depois de um ataque cardíaco quando estava dormindo em sua fazenda na cidade de Mercedes, na Argentina.
Um dos motivos de desconfiança é o atestado de óbito com a descrição genérica da morte do ex-presidente. João Vicente não descarta a possibilidade de que Jango tenha sofrido um atentado patrocinado pelos militares que atuaram na Operação Condor, uma espécie grupo armado e clandestino formado por militares brasileiros, argentinos e chilenos, países onde vigoravam ditaduras. O objetivo do grupo era eliminar líderes políticos de esquerda da América do Sul. ''Há vários indícios de que a morte de Jango não foi natural'', disse ontem João Vicente.
Há três anos o Congresso Nacional criou uma comissão externa para reinvestigar as circunstâncias da morte do ex-presidente. Mas o relatório foi genérico e não conseguiu indícios importantes para apontar suspeitas de que o ex-presidente foi assassinado. O ex-presidente defendia, entre outras idéias, a reforma agrária e a lei que limitava as remessas de lucros de multinacionais ao exterior.
João Vicente, a mãe Maria Tereza e a irmã Denise deram entrada ontem na comissão de anistia do Ministério da Justiça com um pedido para que o governo brasileiro reconheça, 28 anos depois da morte, a condição de anistiado político ao presidente deposto pelo golpe militar de 1964. O pedido se estende a Maria Tereza, que também foi impedida de entrar no Brasil até a morte de João Goulart.
Pelo cargo que ocupava, João Goulart foi o primeiro brasileiro a ter os direitos políticos cassados depois do golpe militar e no dia 30 de março de 1964 teve que fugir para o Uruguai. Quando morreu, em 1976, a anistia ainda não tinha sido decretada. Os filhos e a viúva vão inaugurar em dezembro, em Brasília, um instituto para organizar todos os documentos históricos sobre o mandato de Jango que durou um ano, três meses e alguns dias.


