Filho imita Getúlio Vargas e se suicida
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quinta-feira, 16 de janeiro de 1997
Agência Estado 
Arquivo/Agência EstadoManeco Vargas: depressão e suicídio às vésperas de completar 80 anos PORTO ALEGRE - O fazendeiro Maneco Vargas, filho do ex-presidente Getúlio Vargas, foi encontrado morto ontem com um tiro no peito, na sua estância em Itaqui, a 734 quilômetros de Porto Alegre. As primeiras informações apontam para suicídio, como fez Getúlio em 1954. Maneco tinha 79 anos. Só podemos falar com certeza absoluta depois do laudo mas, extra-oficialmente, foi suicídio mesmo, disse o delegado de Itaqui Zeferino Luz Neto.
Último filho ainda vivo do ex-presidente, Manuel Antonio Sarmanho Vargas foi prefeito de Porto Alegre e completaria 80 anos no próximo mês. Maneco teria disparado um tiro contra o coração com um revólver calibre 38 em sua fazenda, a Cerrito. O corpo foi encontrado por volta das 8h30. A exemplo de seu pai, Maneco deixou uma nota: Não pretendo entrar na história, mas simplesmente deixar a história passar, diz um trecho, reportando-se à famosa frase da carta-testamento do ex-presidente. Nela, Vargas afirma que deixaria a vida para entrar na história. Adiante, Maneco se despede: Aos gaúchos deste e do outro lado do rio Uruguai deixo um abraço e uma lembrança, em referência às suas raízes na fronteira com a Argentina, junto ao rio que separa os dois países e onde se situa São Borja, terra natal de Getúlio e da família Vargas.
Ao ler o manuscrito, que ainda não terminamos de decifrar, percebe-se que ele se sentia como um peso morto, bastante deprimido, interpretou o delegado. Os empregados da Cerrito contaram que, no início da manhã, Maneco lhes falou em tom estranho, como se estivesse se despedindo. Às 7h30, informou-lhes que iria se recolher ao escritório. Depois, os funcionários perceberam que o patrão aumentara o volume do rádio que costumava escutar. Uma hora mais tarde, o cadáver foi descoberto.
O corpo foi examinado pelo plantonista Caleb Atier, do hospital São Patrício, na sede do município, distante 77 quilômetros da propriedade. Como Itaqui não possui médico legista, o cadáver foi transportado à tarde para Porto Alegre, onde seria submetido à autópsia no Instituto Médico Legal (IML). Depois, haveria velório da Assembléia Legislativa e sepultamento na capital gaúcha, nesta quinta-feira.
Não pretendo entrar
na história, massimplesmente deixar a
história passar
Prefeito de Porto Alegre por oito meses, Maneco Vargas teve, ao contrário do pai, uma curta carreira política. Elegeu-se vice-prefeito da capital gaúcha pelo PTB, governando-a de 31 de janeiro a 3 de outubro de 1955, na ausência do prefeito Ildo Meneghetti (PSD). Antes, fora secretário de Agricultura do Estado. Engenheiro-agrônomo, deixou a política aos 38 anos.
Nascido em São Borja, na região das Missões, Maneco Vargas era o último filho vivo de Getúlio e Darcy Vargas. O casal teve cinco filhos - Lutero, Alzira, Manuel, Getúlio e Jandira. Deles, Lutero foi quem mais notoriedade obteve e encarou com mais afinco a carreira política. Fundador do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em 1945, foi deputado federal por duas legislaturas, de 1951 a 1959. Ainda exerceu mandato de deputado estadual pela Guanabara e foi embaixador em Honduras. Além de Lutero, Alzira tornou-se colaboradora muito próxima do pai, na condição de auxiliar do Gabinete Civil da Presidência da República, frequentando o Palácio do Catete até 1954, quando, no dia 24 de agosto, Getúlio Vargas suicidou-se.
Maneco foi casado com Vera Vargas, de quem estava separado. O casal teve três filhos - Yara, Manuel e Getúlio. Maneco possuía cerca de cinco mil hectares na Cerrito. Lá, mantinha aproximadamente quatro mil cabeças de gado, mil ovelhas e plantava arroz e soja.


