Filho de Jango suspeita que ex-presidente foi envenenado
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terça-feira, 06 de junho de 2000
Edinelson Alves Especial para a Folha De Brasília 
O empresário João Vicente Goulart suspeita que seu pai, o ex-presidente João Goulart, possa ter sido envenenado ou que o medicamento que ele tomava para o coração pode ter sido trocado criminosamente. A causa morte anunciada foi infarto, mas poucos meses antes ele havia feito exames na França, e nada havia sido constatado.
Essas afirmações foram feitas ontem pelo filho de Jango durante depoimento à Comissão Especial da Câmara Federal, em Brasília, que investiga as circunstâncias que morreu o ex-presidente, na madrugada de 6 de dezembro de 1976, na Argentina. Ele pode ter sido vítima da ação militar do Cone Sul, conhecida como Operação Condor, a qual também é suspeita pela morte de Juscelino Kubitschek, Carlos Lacerda, entre outras lideranças latino-americanas.
Há muitas evidências suspeitas acerca da morte do meu pai, mas não posso afirmar que ele foi assinado. Isso é o que a Comissão vai investigar. É inegável, porém, que o fato de não ter sido feito autópsia, da emergência com que os militares do Brasil queriam sepultá-lo, das barreiras levantadas para que o corpo chegasse a São Borja (RS) de carro, do impedimento do povo de chegar próximo do corpo, e ainda da proibição imposta para que o caixão não fosse aberto, tudo isso parece uma determinação superior para que as coisas não seguissem os caminhos normais de um sepultamento. É evidente que tudo foi proposital, suspeita. Ele disse que a família vai permitir a exumação do corpo.
Além da possível troca do medicamento, João Vicente suspeita que seu pai possa ter sido envenado quando participou de um almoço, na véspera de sua morte, com a presença de diversas pessoas, num hotel de Passo de Los Libres (Uruguai). Depois desse almoço, ele seguiu direto para sua fazenda, em Mercedes (Argentina). Jango teria ficado até tarde conversando com o capataz. Depois foi dormir, sem reclamar de qualquer dor ou indisposição. Cerca de uma hora depois, ele teria dado um forte suspiro e morrido.
O relator Miro Teixeira (PDT-RJ) disse que vai aprofundar as investigações para apurar as responsabilidades de pessoas que estavam próximas de Jango no exílio.


