São Paulo- O ex-senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (PFL) usou informações obtidas com as escutas telefônicas ilegais realizadas pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia, segundo revela reportagem da revista ''IstoÉ'' desta semana. Levantamento feito pela revista nos arquivos do Senado indica que no segundo semestre do ano passado ele apresentou dez requerimentos a sete ministérios, todos com base nos grampos.
Júnior, como é conhecido, era suplente do pai, o senador Antonio Carlos Magalhães, e o substituiu quando ACM renunciou para evitar a cassação por causa da violação do painel de votação do Senado, em 2001. Júnior fez o primeiro requerimento de informações ao Ministério da Justiça em 6 de agosto. Os outros nove, todos de 20 de novembro, foram para as pastas de Transportes, Fazenda, Comunicações, Agricultura, Esporte e Turismo e Integração Nacional. Segundo a ''IstoÉ'', os temas dos pedidos eram variados, mas todos se baseavam em dados obtidos com os grampos.
Investigadores que trabalham no inquérito da Polícia Federal julgam estar muito perto de chegar ao mandante das escutas, mas, pelos depoimentos e informações obtidos, quase ninguém duvida que tudo foi feito com conhecimento de ACM. ''Existem pontos que resvalam no senador'', diz o procurador da República na Bahia, Edson Abdon Filho, que não revela os indícios obtidos. ''Só teremos convicção de que ele é envolvido ou não depois de ouvi-lo'', ressalva o delegado Gesival Gomes dos Santos, responsável pelo inquérito.

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