Filho cobra investigação 'a fundo' sobre morte de Teori
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sábado, 21 de janeiro de 2017
Daniel Weterman<br>Agência Estado 
São Paulo - O advogado Francisco Prehn Zavascki, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, que morreu na quinta-feira (19) após a queda de um avião, em Paraty (RJ), cobrou uma rigorosa investigação da morte do pai e disse que nenhuma possibilidade está descartada. "É preciso investigar a fundo e saber se foi acidente ou não, que a verdade venha à tona seja ela qual for", afirmou. O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) já comunicaram que abriram processos para apurar as causas do acidente.
Além do ministro do Supremo, quatro pessoas também morreram no acidente. O empresário Carlos Alberto Filgueiras, dono do Hotel Emiliano, o piloto Osmar Rodrigues, a massoterapeuta Maira Lidiane Panas Helatczuk, e a mãe dela, a professora Maria Ilda Panas.

Relator da Lava Jato na Corte, o ministro era o responsável por conduzir os desdobramentos da maior investigação de combate à corrupção no País que envolvem autoridades com foro privilegiado. Teori estava empenhado, nos últimos meses, na análise da delação premiada dos 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht, o mais importante acordo celebrado pela operação até aqui e que aguarda homologação para o próximo mês. Até então, o ministro já havia homologado 24 delações premiadas no âmbito da operação que implicam políticos dos principais partidos do País, da base e da oposição do governo federal.
Francisco disse que a família está em contato com autoridades para acompanhar os desdobramentos das investigações. "No meu íntimo, eu torço para que tenha sido um acidente, seria muito ruim para o País ter um ministro do Supremo assassinado", disse. O filho relatou ainda que havia grupos contrários às investigações de casos de corrupção no País e que o ministro já teria recebido ameaças. Ele era relator dos processos da Lava Jato no STF, sendo responsável por conduzir os julgamentos de investigados com foro privilegiado. "Seria infantil dizer que não há movimento contrário, agora a questão é o que o movimento seria capaz de fazer", afirmou.
Francisco Zavascki disse que o pai estava bastante concentrado na homologação das colaborações premiadas de executivos e ex-executivos da Odebrecht, o que estava programado para ocorrer em fevereiro.
MPF PEDE GRAVAÇÕES
O Ministério Público Federal (MPF) em Angra dos Reis (RJ) solicitou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e ao Comando da Aeronáutica as gravações das conversas entre a torre de controle e o piloto do avião que caiu na quinta-feira matando o ministro Teori Zavascki e mais quatro pessoas, cujos corpos foram resgatados ontem do mar. A procuradora da República Cristina Nascimento de Melo, designada como responsável pela investigação em Angra dos Reis, solicitou também documentos relativos à manutenção da aeronave, um bimotor modelo Beechcraft C90GT King Air.
O aparelho de gravação de voz do avião foi encontrado nessa sexta-feira (20) pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Aeronáutica que investiga a queda do avião. Segundo o Cenipa, o aparelho será encaminhado para a sede do órgão, em Brasília, para ser analisado.
CORTE INTERAMERICANA
Também a Corte Interamericana de Direitos Humanos afirmou, em nota, esperar "uma investigação especialmente cuidadosa e célere sobre as circunstâncias do desastre" que matou o ministro do Teori. "Em virtude da relevante posição de ministro do Supremo Tribunal Federal em pleno exercício e relator de processos fundamentais para a vida nacional, espera-se uma investigação especialmente cuidadosa e célere sobre as circunstâncias do desastre ocorrido", diz o texto, assinado pelo presidente da corte, Roberto F. Caldas.
VELÓRIO
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) informou que o velório do ministro Teori será aberto às 11h deste sábado (21), no plenário da Corte, em Porto Alegre. Segundo o TRF4, o enterro será também neste sábado, a partir das 18h, no cemitério Jardim da Paz, na capital do Rio Grande do Sul. Teori foi ministro do Supremo a partir de 29 de novembro de 2012. Ele presidiu a 2ª Turma da Corte entre 2014 e 2015. (Com Folhapress e Agência Brasil)


