Por ironia do destino, é justamente o filho mais avesso à política do senador Antonio Carlos Magalhães que assumirá sua cadeira no Senado. O professor e empresário Antonio Carlos Magalhães Júnior, de 48 anos, que sempre esteve à frente dos negócios da família, deixa agora o comando do Grupo Rede Bahia, formado por 22 empresas da área de comunicação e construção civil, para ingressar inesperadamente na política como suplente do pai.
Embora tenha vivido sempre num ambiente político, ‘‘Júnior’’ – como é chamado pelos amigos e familiares – nunca exerceu cargos eletivo ou público. Ele virou suplente por sugestão do deputado Luís Eduardo Magalhães, que seria o herdeiro político de ACM, mas morreu em abril de 1998.
As circunstâncias que levam Júnior ao Congresso não são agradáveis, mas ele está disposto a assumir o desafio. ‘‘Se isso acontecer, vou encarar de forma objetiva’’, afirmou, com cautela e discrição, duas de suas principais características. Antonio Carlos Magalhães Júnior tenta dar simplicidade à sua vida. Faz questão de dirigir seu próprio carro e, como lazer, gosta de futebol e música. Tem quase quatro mil CDs em casa. Professor de Finanças da Universidade Federal da Bahia, acorda cedo. Às 5h30 faz cooper e, duas horas depois, já está na sala de aula.
Depois, concentra a energia na empresa, que tem 1,5 mil funcionários. ‘‘O grupo tem um esquema profissional que lhe dá capacidade de andar com as próprias pernas’’, afirma com a convicção de que só cumprirá o restante do mandato, retornando depois à vida empresarial.
Ele denuncia como ‘‘boataria da oposição’’ as especulações de que a ‘‘Globo’’ estaria disposta a cancelar contrato com a ‘‘TV Bahia’’, afiliada do grupo da família Marinho, como represália ao senador. Júnior quer conversar sobre política só depois da posse, fazendo questão de ressalvar que se a mesma acontecer na quarta-feira.
Afirma ainda não ter candidato à Presidência da República, mas não esconde as boas ‘‘relações pessoais’’ que mantém com o governador do Ceará, o tucano Tasso Jereissati. O suplente de ACM orgulha-se, contudo, com a queda que seu filho Antonio Carlos Magalhães Neto, já conhecido por ACM-N, tem pela política. O neto de ACM, de 22 anos, pretende se candidatar a deputado federal no próximo ano. Júnior tem também uma filha, Renata, de 20 anos, que cursa Administração, em Salvador.

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