Filhas confirmam versão de Belinati
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sexta-feira, 05 de maio de 2000
Valmir Denardin De Curitiba 
As duas filhas do prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PFL), depuseram ontem pela primeira vez ao Ministério Público e procuraram confirmar as declarações já dadas pelo pai à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, em Londrina. Cíntia, 30 anos, e Simone, 28, disseram que todos os bens que estão no nome delas e no do irmão, o deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSB), foram doados por seus pais o prefeito e a vice-governadora, Emilia Belinati (PTB).
A origem e o crescimento do patrimônio em nome dos filhos de Belinati está sendo investigada pela promotoria. Segundo o Ministério Público, entre 98 e 99 quando já exercia seu terceiro mandato de prefeito Belinati comprou um apartamento de 750 metros quadrados no Edifício Arkádia, um dos mais luxuosos de Londrina; um terreno de 112 mil metros quadrados ao lado de sua chácara, também em Londrina; e um apartamento no Bairro Champagnat, em Curitiba.
O valor total dessas aquisições chega a R$ 1,2 milhão. Os imóveis foram passados para o nome dos filhos de Belinati. A Procuradoria da República em Londrina está investigando os documentos desses imóveis.
Segundo a promotora Solange Novaes Vicentin, que se deslocou de Londrina a Curitiba para tomar os depoimentos, Cíntia e Simone disseram que todos os seus bens estão declarados no Imposto de Renda, mas não apresentaram os documentos. De acordo com a promotora, o apartamento do Edifício Arkádia não foi declarado ao Fisco no ano passado, apesar de ter sido comprado em 98, por R$ 450 mil, à vista e em dólares. O apartamento já foi vendido ao advogado Vandocir dos Santos.
Em um depoimento de uma hora e meia, Cíntia declarou que não negociou valores e forma de pagamento do contrato entre a prefeitura e a empresa Archivo X para uma apresentação da cantora Xuxa na inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI), em março de 1999. Disse que só fez o primeiro contato com a empresa e o contrato foi fechado pelo então procurador jurídico da prefeitura, Eduardo Duarte Ferreira.
Essa versão confronta com o depoimento do ex-diretor da Comurb, Eduardo Alonso de Oliveira, pivô das denúncias contra Belinati. Alonso disse à Promotoria que Cíntia e Rubens Pavan, presidente da Sercomtel, foram os responsáveis pela contratação da apresentação de Xuxa. No show, que acabou cancelado, teriam sido gastos R$ 60 mil.
O depoimento de Simone durou apenas 20 minutos. À maioria das perguntas da promotora, ela disse que só responderia em juízo. O advogado Osman de Santa Cruz Arruda, que acompanhou as duas ao depoimento, realizado na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Curitiba, tentou impedir que elas fossem fotografadas.
Por ser deputado, Antônio Carlos vai depor em foro especial. Tem direito a escolher data e local e só poderá ser ouvido pelo procurador-geral do Ministério Público Estadual, Marco Antônio Teixeira. O pedido para que isso ocorra já foi encaminhado pela Promotoria.


