Existem ainda mais 42 empresas estatais federais e estaduais a serem privatizadas nos próximos anos, pelas contas do governo. Ainda este ano estão previstas os leilões da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), dia 3 de dezembro, e da Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba (Saelpa), também prevista para o próximo mês de dezembro. Para 1999, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prevê a venda de 30 empresas, incluindo as quatro empresas-espelho de telecomunicações. A privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel), que está sendo fatiada em companhias (ver na página anterior) também não tem data firme.
As demais dez privatizações ainda não têm data marcada e poderão ocorrer no ano 2000. Na proposta orçamentária para 1999, o governo federal estima que poderá haver uma receita de R$ 24,7 bilhões com as privatizações. A previsão já havia sido feita em setembro pelo vice-presidente do BNDES, José Pio Borges e em janeiro pelo então ministro do Planejamento Antônio Kandir.
Até o dia 10 de novembro as privatizações federais e estaduais já haviam ultrapassado em 38,1% a estimava de arrecadação feita no início do ano. ‘‘O programa de privatização foi um sucesso este ano’’, disse Borges.
A expectativa do Conselho Nacional de Desestatização (CND), é que a receita de privatização chegue a pelo menos US$ 38 bilhões até dezembro, com as duas privatizações que ainda faltam. Segundo os dados do CND o programa de privatização arrecadou em 1998 até a venda da Malha Paulista (antiga Fepasa) US$ 37,3 bilhões, incluindo US$ 6,6 bilhões de dívidas transferidas do setor público para o privado.
A meta anunciada em janeiro passado pelo então ministro do Planejamento, Antônio Kandir, era chegar a US$ 27 bilhões (R$ 32,8 bilhões) no final do ano. Desde 1991, o PND arrecadou US$ 68,5 bilhões. Somando as dívidas das empresas (US$ 16,5 bilhões), este valor sobe para US$ 85 bilhões.
Mas o governo admite que não espera que o programa de privatização estabelecido e desenvolvido sobretudo na administração de Ferando Henrique Cardoso, continue a existir e produzir frutos em 2001. A proposta orçamentária prevê a arrecadação de mais R$ 16,4 bilhões com a venda de ativos federais e estaduais, mas não faz qualquer previsão para 2001, segundo os técnicos. Um deles, que preferiu não se identificar, traduziu numa expressão: ‘‘O Palácio do Planalto não tem nada definido; apenas sabe que dentro de três anos estará tudo acabado com relação ao programa nacional de privatizações, e com as expectativas de ser fazer dinheiro e converter recursos com as vendas’’. (A.E.)

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