As críticas que o governo federal vem sofrendo de lideranças da indústria paulista ganham novo fôlego nesta semana. Hoje, a partir das 11 horas, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) recebe na sua sede empresários, parlamentares eleitos por São Paulo e lideranças sindicais para um ato de protesto contra a atual política econômica.
A idéia da entidade é, a partir do encontro, definir uma agenda comum de reivindicações para ser levada ao governo, que estaria praticando uma política econômica excessivamente ‘‘monetarista’’ (voltada somente para a estabilidade do real, sem a devida preocupação com o desenvolvimento industrial).
‘‘O encontro será para discutir alternativas à atual política econômica. Vamos avaliar se isso vai se transformar em um movimento e como as reivindicações serão levadas ao governo’’, disse o presidente da Fiesp, Horacio Lafer Piva.
A entidade, na tentativa de articular um movimento para pressionar o governo a mudar sua política de juros e a carga tributária, vem ganhando adeptos. Nas três últimas semanas, quando surgiu a idéia da realização do evento, a entidade conseguiu o apoio de importantes lideranças do movimento sindical.
Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, vice-presidente da Força Sindical, que chegou a ser cotado para assumir o Ministério do Trabalho na reforma ministerial, foi um dos primeiros a apoiar a iniciativa. Posteriormente, foi a vez do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, uma das principais lideranças da CUT, de oposição ao governo.
O presidente da Fiesp chegou a procurar o presidente nacional da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, na semana passada. Piva saiu do encontro com o apoio pessoal de Vicentinho à suas reivindicações, mas o dirigente sindical não irá participar do ato, mesmo tendo sido convidado pessoalmente.
Por sua vez, a Força Sindical tentou atrair representantes de outros setores empresariais, como a Associação Comercial de São Paulo e a Federação da Agricultura. Da mesma forma que recebeu apoio de diversos setores, a Fiesp foi duramente criticada por outros segmentos empresariais afinados com a atual política econômica.
O ataque mais direto foi realizado na última quinta-feira pelo presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, um empresário do setor petroquímico próximo a FHC. Segundo o dirigente, as críticas da Fiesp estariam relacionadas com o processo de esvaziamento industrial de São Paulo, que vem perdendo empresas para outros Estados.
O presidente da Fiesp afirma que não está tentando derrubar integrantes da equipe econômica, mas as lideranças sindicais que o apóiam deixam transparecer que a saída do presidente do Banco Central, Gustavo Franco, seria bem recebida.

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