Curitiba - As discussões em torno do salário mínimo regional de R$ 437, proposto pelo governo do Estado no início do ano, começaram ontem na Assembléia Legislativa. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha Loures, afirmou ontem no plenário que a implantação do novo salário mínimo pode acarretar em desemprego e aumento da informalidade. O presidente da Fiep argumentou também que já existe um relacionamento maduro nas relações entre o capital e o trabalho no Paraná que indicam que é possível construir valores salariais de equilíbrio para o bom funcionamento das atividades produtivas no Estado.
  ‘‘A colocação de uma medida dessa natureza tem que ser acompanhada por discussões políticas. Tem que respeitar as peculiaridades de cada setor’’, afirmou o presidente da Fiep. Segundo Rocha Loures, dos 94 sindicatos patronais ligados à Federação, 74 têm piso salarial inferior ao salário mínimo regional proposto pelo governo do Estado. Rocha Loures disse ainda que as indústrias do Paraná dificilmente vão suportar este aumento que vai subir o valor da folha de pagamento principlamente porque vai elevar toda a grade salarial das empresas e não só a remuneração de quem ganha abaixo de R$ 437 e também acarretará ‘‘num incremento proporcional de encargos sociais’’.
  O presidente da Fiep usou o setor alimentício para exemplificar os problemas que o salário mínimo regional pode trazer. Segundo ele, a indústria paranaense de alimentos tem um piso salarial médio de R$ 379. Com a medida, o setor teria que arcar com aumento médio de 13,8% no valor nominal dos salários. E, junto a tudo isso, explicou Rocha Loures, o segmento, que corresponde por um terço do faturamento e abriga 50% dos empregados no parque industrial do Estado, apresentou redução de 25,1% em sua produtividade entre 2001 e 2005. ‘‘Em contrapartida, no mesmo período os trabalhadores do ramo tiveram ganho real de 4,7% na remuneração’’, afirmou.
  Além da baixa produtividade, Rocha Loures afirmou ainda que a carga tributária brasileira não ajuda o empresário a progredir. ‘‘O Paraná possui iniciativas importantes na redução da carga tributária. Mas por outro lado o Estado está inserido na economia nacional. E os ganhos
tributários que nós temos no
Paraná são consumidos pela tributação nacional. O governo federal só aumenta a carga tributária e o câmbio também está desvalorizado’’, reclamou.
  Por fim o presidente da Fiep afirmou que a alta salarial pode causar um ‘‘efeito perverso’’, já que pode haver o repasse dos recursos financeiros para o preço final do produto. ‘‘O aumento dos preços dos bens e serviços (imposto inflacionário), em última instância, irá afetar exatamente os que em princípio deveriam ser os beneficiários do aumento do piso salarial’’, afirmou. ‘‘A Fiep entende que existem outras formas de promover ganhos de renda à população, como a melhoria da qualidade dos serviços públicos, uma vez que o quadro atual impõe às empresas e trabalhadores a contratação de serviços de saúde, educação e segurança’’, argumentou.
  Depois da explanação, alguns deputados questionaram Rocha Loures. O deputado Natálio Stica (PT) afirmou que os empresários ‘‘precisam parar com a política fácil de repassar tudo e achar outras saídas’’. Os deputados peemedebistas Rafael Greca e Elza Correa defenderam o novo mínimo. O deputado Ademar Traiano (PSDB) argumentou que, como empresário, está vendo prejuízos, corroborando a tese do presidente da Fiep. Já o deputado Nelson Justus (PFL) afirmou que antes de votar a questão é preciso um maior embasamento com números.

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