Fiep teme desemprego com mínimo regional
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segunda-feira, 17 de abril de 2006
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As discussões em torno do salário mínimo regional de R$ 437, proposto pelo governo do Estado no início do ano, começaram ontem na Assembléia Legislativa. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha Loures, afirmou ontem no plenário que a implantação do novo salário mínimo pode acarretar em desemprego e aumento da informalidade. O presidente da Fiep argumentou também que já existe um relacionamento maduro nas relações entre o capital e o trabalho no Paraná que indicam que é possível construir valores salariais de equilíbrio para o bom funcionamento das atividades produtivas no Estado.
A colocação de uma medida dessa natureza tem que ser acompanhada por discussões políticas. Tem que respeitar as peculiaridades de cada setor, afirmou o presidente da Fiep. Segundo Rocha Loures, dos 94 sindicatos patronais ligados à Federação, 74 têm piso salarial inferior ao salário mínimo regional proposto pelo governo do Estado. Rocha Loures disse ainda que as indústrias do Paraná dificilmente vão suportar este aumento que vai subir o valor da folha de pagamento principlamente porque vai elevar toda a grade salarial das empresas e não só a remuneração de quem ganha abaixo de R$ 437 e também acarretará num incremento proporcional de encargos sociais.
O presidente da Fiep usou o setor alimentício para exemplificar os problemas que o salário mínimo regional pode trazer. Segundo ele, a indústria paranaense de alimentos tem um piso salarial médio de R$ 379. Com a medida, o setor teria que arcar com aumento médio de 13,8% no valor nominal dos salários. E, junto a tudo isso, explicou Rocha Loures, o segmento, que corresponde por um terço do faturamento e abriga 50% dos empregados no parque industrial do Estado, apresentou redução de 25,1% em sua produtividade entre 2001 e 2005. Em contrapartida, no mesmo período os trabalhadores do ramo tiveram ganho real de 4,7% na remuneração, afirmou.
Além da baixa produtividade, Rocha Loures afirmou ainda que a carga tributária brasileira não ajuda o empresário a progredir. O Paraná possui iniciativas importantes na redução da carga tributária. Mas por outro lado o Estado está inserido na economia nacional. E os ganhos
tributários que nós temos no
Paraná são consumidos pela tributação nacional. O governo federal só aumenta a carga tributária e o câmbio também está desvalorizado, reclamou.
Por fim o presidente da Fiep afirmou que a alta salarial pode causar um efeito perverso, já que pode haver o repasse dos recursos financeiros para o preço final do produto. O aumento dos preços dos bens e serviços (imposto inflacionário), em última instância, irá afetar exatamente os que em princípio deveriam ser os beneficiários do aumento do piso salarial, afirmou. A Fiep entende que existem outras formas de promover ganhos de renda à população, como a melhoria da qualidade dos serviços públicos, uma vez que o quadro atual impõe às empresas e trabalhadores a contratação de serviços de saúde, educação e segurança, argumentou.
Depois da explanação, alguns deputados questionaram Rocha Loures. O deputado Natálio Stica (PT) afirmou que os empresários precisam parar com a política fácil de repassar tudo e achar outras saídas. Os deputados peemedebistas Rafael Greca e Elza Correa defenderam o novo mínimo. O deputado Ademar Traiano (PSDB) argumentou que, como empresário, está vendo prejuízos, corroborando a tese do presidente da Fiep. Já o deputado Nelson Justus (PFL) afirmou que antes de votar a questão é preciso um maior embasamento com números.


