A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) está contra a venda da Copel, pelo menos por enquanto. A entidade publica hoje nota oficial nos principais jornais estaduais, defendendo que a privatização da estatal seja postergada, devido à crise energética, conforme a Folha havia antecipado na sexta-feira. O documento foi assinado também por diversas entidades representativas da indústria, comércio e agricultura no Estado – Federação da Agricultura (Faep), Organização e Sindicato das Cooperativas (Ocepar), Federação do Comércio, Federação das Empresas de Transportes de Cargas, Federação do Comércio e Federação das Associações Comerciais.
No entanto, a Fiep, considerada uma das entidades mais poderosas do Paraná, foi cautelosa ao bater de frente com os planos do Executivo. A nota explica que as federações continuam defendendo o processo de desestatização da economia brasileira e que, quando a privatização da Copel for retomada, as instituições empresariais apreciariam junto com o governo a escolha de um modelo em sintonia com o cenário econômico e político estadual.
O presidente da Fiep, José Carlos Gomes Carvalho, disse acreditar que a postura da entidade vai agradar aos paranaenses. Em abril, Carvalho pediu demissão da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho. Explicou que deixou o primeiro escalão do governador Jaime Lerner (PFL) porque pretende disputar a presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A crise energética tem sido um complicador nos planos de Lerner, que planeja vender a estatal de energia em outubro ou novembro. Considerando a repercussão do problema, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), colocou um freio no processo de privatização das empresas de energia paulistas – e já ensaiou entrada na lista de candidaturas à sucessão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
A decisão da Fiep pode servir como respaldo ao Fórum Popular Contra a Venda da Copel, que conta com o apoio de mais de 200 entidades e câmaras municipais. O Fórum entrega amanhã à Assembléia Legislativa o projeto de iniciativa popular para barrar a privatização.

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