Fiéis desafiam IAP e sobem morro
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domingo, 01 de maio de 2005
Maigue Gueths e Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As comemorações do Dia Internacional do Trabalhador no Paraná começaram com o tradicional ato religioso, realizado há 54 anos nesta data no morro do Anhangava, na entrada da Serra do Mar, a 1.420 metros de altitude. Este ano, no entanto, os cerca de 500 fiéis presentes não puderam assistir a uma missa, como nos anos anteriores. A celebração teve que ser substituída pela reza de um terço, depois que o arcebispo de Curitiba, dom Moacyr José Vitti, impediu que o padre subisse o morro.
A determinação do arcebispo veio de encontro à decisão do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que não liberou a realização do ato no morro do Anhangava. O embate entre a comunidade de Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, que organiza a celebração no Anhangava e IAP acontece todos os anos. Os fiéis alegam que querem chegar o mais perto possível de Deus para agradecer e pedir bênçãos no trabalho. O IAP, por sua vez, afirma que a missa naquele local prejudica o meio ambiente. Mesmo sem autorização e sem padre, os presentes subiram o morro.
Apesar do impasse em Quatro Barras, a Igreja Católica comemorou o Dia do Trabalhador em outras localidades. Com o tema ''Viver sem direitos não é direito!'', a Arquidiocese de Curitiba organizou uma celebração em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana. Os católicos se reuniram na Praça da Vitória da cidade às 8h30 deste domingo e, lembrando os direitos dos trabalhadores, seguiram em uma caminhada até a Paróquia São Gabriel, onde a celebração aconteceu.
Vários sindicatos e confederações também aproveitaram a data para realizar comemorações. Em São José dos Pinhais, a Força Sindical organizou o Primeiro de Maio Solidário, com uma programação que incluía a emissão de carteiras de trabalho além de atividades culturais e shows. Os participantes da festa levaram alimentos não-perecíveis que serão doados à entidades assistencialistas.
Já a Federação das Indústrias do Estado do Paraná lembrou que o 1º de maio também é o Dia da Saúde e da Segurança do Trabalhador. A federação marcou a celebração da data com um passeio ciclístico pela capital e exames de glicemia e medição da pressão arterial na Associação Bosch, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).
Nem só comemorações marcaram o feriado, porém. A Coordenação Nacional de Lutas reuniu cerca de 60 pessoas no centro de Curitiba no sábado para protestar contra a política econômica do governo federal e a subordinação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) à reforma sindical proposta no Congresso. A queima de bonecos representando o presidente Lula e a CUT chamaram a atenção dos curitibanos que passaram pela Boca Maldita.


