Brasília - Chamada até de ''mãe de todas as reformas'' pelos dirigentes dos partidos, e um dos assuntos do encontro na quinta-feira passada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), a reforma política é um desses fenômenos brasileiros em que, de forma geral, todos são a favor, mas na hora dos detalhes, ninguém se entende. Lula e Jereissati disseram que governo e oposição vão dialogar para buscar os pontos comuns. Esse é o problema.
Enquete feita pelo ''Grupo Estado'' com dirigentes de 10 dos 11 partidos da coalizão de governo - só o PRB, que tem apenas um deputado, não se manifestou - mostra que, em torno dos projetos já prontos para votação em plenário, só há consenso quanto à fidelidade partidária. Mesmo assim, cada um tem uma fórmula diferente para a fidelidade, e a tendência é criar um meio termo sem endurecer demais a punição para os que trocarem de partido.
''É preciso ter regras que protejam os partidos do troca-troca verificado hoje, mas o político também não pode ser condenado a ter apenas uma legenda em toda a vida. Temos de encontrar um jeito de permitir que, no caso de desentendimento, ele possa buscar outro partido'', diz o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO). ''É preciso buscar uma forma de impedir o refluxo desordenado que existe hoje, mas também não podemos impedir um cidadão descontente de procurar outro partido'', completa o líder do PV, Marcelo Ortiz (SP).
''É uma fidelidade relativa, mas é muito melhor do que existe hoje'', diz o líder do PR, Luciano Castro (RR), sobre a proposta do partido, que obriga o parlamentar a ficar no partido por pelo menos três anos. O PR, resultado da fusão do PL com o Prona, é um bom exemplo da falta de compromisso dos parlamentares com os partidos pelos quais foram eleitos. O partido elegeu 23 deputados em outubro passado, juntou-se ao Prona, que tinha dois, e agora já chegou aos 42 parlamentares. ''Eles migraram porque até agora a regra não está sistematizada'', justifica Luciano Castro.
Reeleição - A emenda constitucional que prevê o fim da reeleição para presidente da República, governador e prefeito, vem sendo muito debatida nos últimos dias. Também não tem consenso. O líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RR), embora seja contrário à reeleição, é contra mudar agora o sistema. ''O que vivemos de reeleição? A regra não tem nem dez anos e já vamos dizer que é ruim? Por princípio, sou contra, mas agora que instituímos a reeleição, devemos esperar mais'', sustenta Castro.
A opinião de Castro não é compartilhada nem pelo presidente de seu partido, Sérgio Tamer. Ressalvando que se trata de posição pessoal e não do partido, Tamer tem uma proposta detalhada para o fim da reeleição, que incluiria uma série de mudanças até que, a partir de 2014, os mandatos nos Executivos e Legislativos federal, estadual e municipal fossem unificados em seis anos de mandato. Tamer concorda com o líder na posição contrária ao financiamento público de campanha. ''Iria onerar os cofres públicos sem resolver os vícios do financiamento privado'', argumenta. ''Fomentaria o caixa 2'', reforça Luciano Castro.
A respeito do tamanho do mandato do presidente, a profusão de divergências embaralha tudo. O presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), por exemplo, é a favor de cinco anos para todo mundo, de presidente da República a vereador. ''É uma forma de acabar com esse trampolim que candidaturas inviáveis para governador e prefeito criaram, só para tornar a pessoa conhecida, dando-lhe a possibilidade de eleição dois anos depois.'' Pessoalmente, Berzoini é contrário à reeleição.
O líder do PSB, Márcio França (SP), é contra o fim da reeleição, posição diferente daquela do vice-presidente do PSB, o ex-ministro Roberto Amaral. ''Sou contra o fim da reeleição porque envolveria uma complicada engenharia com prefeitos e vereadores, mexeria com tempos de mandato. Caso contrário, seria absolutamente casuístico'', contra-argumenta o líder.

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