Em visita ontem a Londrina, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, defendeu a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em definir que o mandato nos legislativos pertence ao partido, não ao político. O posicionamento divulgado terça-feira passada respondeu a consulta formulada pelo PFL, que, juntamente com PPS e PSDB, estão entre as siglas que mais perderam parlamentares para partidos governistas após as eleições de 2004 e 2006. Entretanto, a medida precisa ser homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em relação à abrangência aos Executivos e à aplicabilidade: caso vigore imediatamente, quem mudou de partido nos últimos três anos pode perder o mandato se não retornar à legenda de origem.
Freire visitou a Câmara de Vereadores de Londrina juntamente com os presidentes do partido no Estado, Rubens Bueno, e em Londrina, o vereador Tercílio Turini. Atual suplente do senador Jarbas Vasconcellos (PPS-PE) e integrante do cenário político desde 1974, o presidente do PPS afirmou que o parecer do TSE é um passo inicial para se garantir a fidelidade democrática em um sistema político que considera ''desmoralizado pelo troca-troca partidário e que acarreta uma frouxidão moral ao País''.
''O PPS solicitará a devolução dos mandatos (oito deputados debandaram); podemos ir ao STF para garantir isso'', disse. De acordo com o parlamentar, a decisão do Tribunal ''é salutar'', mas só a adiada reforma política consolidaria, de fato, o amadurecimento do sistema partidário. ''Há um consenso sobre o que precisa mudar (com a reforma); mas é preciso um catalisador no Congresso e mesmo uma atitude no Planalto. Não creio que uma decisão por tribunais seja o melhor caminho, mas nossa democracia chegou a tal ponto que só assim para a ordem ser restaurada'', disse.
Em relação à fidelidade partidária, Freire é aberto defensor do voto distrital como forma de defender os interesses dos partidos e tornar o processo menos concentrado no candidato, e mais nas propostas da legenda. ''No fim, hoje em dia é o indivíduo que acaba se sobressaindo na eleição, e não o conteúdo programático da sila. Esse respeito é que se tem de buscar para corrigir vários equívocos - a eleição do (estilista) Clodovil (Hernandes, do PTC-SP),ou tantos outros, é apenas fruto desse sistema'', citou, para complementar: ''O que tem de valer não é a personalidade, até para o eleitor não se confundir e achar que o sujeito é que vai resolver o problema. Não vai''.

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