Fidelidade de Sarney garante ministério
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domingo, 19 de dezembro de 2004
João Domingos eVera Rosa<br> Agência Estado 
Brasília - A escolha de Roseana Sarney para o primeiro escalão do governo é a principal demonstração de agradecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao pai da senadora, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). No Palácio do Planalto é unânime a idéia de que ninguém ajudou mais o governo Lula no Senado do que Sarney. Até quando a bancada do PT atrapalhou, o senador deu um jeito para que o governo não sofresse derrotas humilhantes ali.
Entre os feitos de Sarney contabilizados pelo Planalto está o de não ter feito reunião do Congresso Nacional (do qual, por ser presidente do Senado, é também o presidente) durante toda a gestão de Lula para a apreciação de vetos presidenciais a leis. Também está o de ter mandado engavetar o pedido de abertura de uma comissão parlamentar de inquérito destinada a investigar a influência de Waldomiro Diniz, ex-assessor parlamentar da Casa Civil, no governo.
Os próprios assessores de Lula lembram que, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, Sarney atacou a concentração de receitas pela União, em prejuízo dos Estados, e resolveu votar o projeto que limitava os juros em 12% ao ano. Aprovado no Senado, o projeto foi engavetado na Câmara, por ordem de seu então presidente, o deputado Luiz Eduardo Magalhães, este aliado do governo de Fernando Henrique (Luiz Eduardo morreu repentinamente em 1998, quando exercia o cargo de líder do governo FH na Câmara).
Sarney conseguiu para Lula uma proeza inimaginável. Toda a bancada do governo no Senado, somada, tem 37 representantes, incluindo aí o PMDB. Mas Sarney manobrou as sessões de tal forma que a minoria do governo quase nunca representou um prejuízo para o governo. Nas votações importantes, o Planalto catou um voto aqui e outro ali, e conseguiu aprovar seus projetos. Quando sofreu derrotas consideráveis, como a da votação do salário mínimo, havia petistas envolvidos no combate ao projeto defendido pelo governo.
Agora, de novo num exemplo de que é um aliado confiável, o senador José Sarney ajudou a atrapalhar a convenção que os peemedebistas de oposição fizeram para obrigar o partido a romper com o governo. E não só reatou as relações com o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), que trabalhou para impedir a sua reeleição, como concordou em apoiá-lo para a presidência do Senado. Isso era tudo o que o presidente Lula queria.
Sarney é tido ainda pelo Planalto como o primeiro nome da lista dos candidatos a suceder o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), um dos líderes da dissidência, caso o partido resolva antecipar as eleições de sua direção para 2005. Com Roseana no Ministério das Comunicações, o ministro Eunício Oliveira poderia migrar para a Integração Nacional, pasta atualmente ocupada por Ciro Gomes (PPS). Desta forma, Lula atenderia ao pedido do PMDB governista, que reivindica um ministério com orçamento mais gordo. Considerado um ministro muito eficiente por Lula, Ciro é cotado para comandar a Previdência.


