Entra cúpula, sai cúpula, Fidel Castro, hoje com 72 anos, ditador cubano há quase 40, domina a cena e desata ódios e amores de igual intensidade. Desta vez, na Cúpula do Porto, será ainda mais acentuado o protagonismo de Fidel, que chegou ontem com as piadinhas habituais. ‘‘É melhor vocês cobrarem hora extra, mais almoço e jantar’’, brincou com os jornalistas, aludindo ao fato de que era dos primeiros a desembarcar e, portanto, os repórteres teriam uma longa espera pelos demais governantes.
Fidel estava ainda mais à vontade, primeiro porque Cuba será a sede da 9ª Cúpula, a de 1999. Com isso, o presidente ganha o direito de ser um dos três mandatários a fazer os discursos formais e a participar da tradicional entrevista de encerramento. Só os governantes da cúpula anterior (Venezuela), da atual (Portugal) e da próxima (Cuba) têm tal privilégio.
Segundo, porque a crise financeira global poliu um pouco a imagem do ditador, ao tornar menos solitárias suas críticas ao capitalismo. Na sua recente passagem pelo Brasil, Fidel deu-se ao luxo de dizer que a crise era ‘‘consequência inevitável das regras de mercado, mas também da globalização’’.
Terceiro, porque cresce, ano após ano, a oposição ao embargo imposto pelos EUA à ilha que Fidel governa. Na quarta-feira, a assembléia-geral da ONU condenou o bloqueio pelo sétimo ano consecutivo, desta vez por 152 votos contra apenas dois (EUA e Israel). Nos anos anteriores, os votos contra o embargo haviam sido 137 (em 1996) e 143 (1997).
O documento final da Cúpula fará menção ao embargo, mas com linguagem cuidadosa. Nas ruas, também haverá manifestações de condenação ao embargo, compartilhadas ecumenicamente por opositores e admiradores de Fidel - certamente, como sempre aconteceu.Adalberto Roque/France PresseMais polidoFidel: agora até com mais cuidado ao falar da criseAgência Estado

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