Fidel quer democratizar a ONU
Chefe supremo de uma das mais antigas ditaduras do mundo (39 anos), o presidente de Cuba Fidel Castro disseontem, em Salvador, que vai lutar pela democratização da Organização das Nações Unidas (ONU). Queremos transformar a ONU num organismo mais democrático, sem a ditadura do Conselho de Segurança, declarou, na conversa que teve com o governador César Borges (PFL) e o prefeito da capital baiana, Antonio Imbassahy (PFL), logo após desembarcar por volta da 1h30 da madrugada na Base Aérea de Salvador.
Castro manifestou o desejo de mudar os estatutos da ONU e ensinou a fórmula: É preciso criar tudo, desde a primeira pedra, disse, defendendo ainda a presença do Brasil no Conselho de Segurança da organização. Na reunião de 40 minutos que manteve com Borges e Imbassahy no Hotel Othon, o presidente cubano disse acreditar que o turismo pode ser uma solução econômica para Brasil e Cuba. Veja o exemplo do Caribe, citou.
Castro e mais 120 membros do governo cubano fizeram uma escala técnica em Salvador na viagem para Africa do Sul, onde se realiza a reunião de países não-alinhados amanhã e quinta-feira. O presidente escolheu a Bahia pela sua amizade de 11 anos com o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Do caminho entre a Base Aérea e o Othon, Castro ficou impressionado com o aspecto de Salvador e quis saber do prefeito Imbassahy quanto era o orçamento do município. Ao saber o valor espantou-se. Não entendo como Salvador pode manter as ruas limpas e iluminadas com um orçamento de apenas US$ 600 milhões por ano. Fidel passou a manhã descansando no hotel, vigiado por mais de 250 homens entre policiais militares, federais e sua segurança pessoal. Aproveitou para revisar o discurso que fará na reunião dos não-alinhados.
Fidel almoçou na residência do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), no edificio Stella Maris, bairro da Graça, próximo ao centro de Salvador. Ele chegou por volta das 13h10 e saiu às 16 horas. A cozinheira de ACM, Maria Rita Pereira preparou nove pratos da cozinha baiana, como bobó de camarão, moqueca de peixe, caruru e vatapá. Só não teve o arroz de hauça, prato que impressionou Fidel na sua visita anterior à Bahia, em 93. O presidente gostou tanto que queria levar a cozinheira anterior de ACM, Ana Rosa para Cuba. Ela não foi, preferiu voltar para sua terra natal, o Piauí, onde montou um restaurante há cinco anos.
Desta vez, Fidel comeu moderadamente, segundo ACM, por causa das reportagens sobre sua visita anterior, onde ele foi comparado a um glutão. O presidente cubano voltou a elogiar a comida baiana bem como a cidade e o povo. Gosto muito daqui onde tenho amigos, disse. ACM lembrou que conheceu Fidel quando era ministro das Comunicações, no governo do presidente José Sarney. Fui lá fazer a primeira ligação tefônica do Brasil com Cuba, nossa amizade não tem nada a ver com política, assinalou. Perguntado se o PFL usaria a visita de Fidel no programa eleitoral, o senador ironizou: Para vencer na Bahia, a gente não precisa da ajuda de figuras importantes como Fidel, disse. O senador deu uma escultura da orixá Iemanjá de presente ao presidente cubano.
Numa entrevista tumultuada, Castro pediu respeito ao presidente norte-americano Bill Clinton, quando o indagaram sobre o caso Monica Lewinsky. No entanto, responsabilizou os Estados Unidos pela crise mundial. Há um excesso de poder dos EUA, disse, propondo uma maior soberania, para os países emergentes, como uma das saídas para a crise.
Ele disse que Cuba é o país mais preparado para enfrentar a crise mundial, pois convive com o bloqueio econômico há décadas. Segundo Fidel, o Fundo Monetário Internacional (FMI) está falido e vem arrastando todos os países que recorrem a ele para o mesmo buraco. O FMI é o beijo do diabo, mata aqueles que o procuram, disse, assinalando ser preocupante a globalização da crise econômica causada pela quebra da economia da Rússia, associada aos problemas dos países asiáticos e emergentes.
A comitiva cubana decidiu cancelar a visita que faria ao Pelourinho. A previsão era de que os dois jatos da Companhia Aérea Cubana, que transportaram a delegação, decolassem de Salvador por volta das 20 horas de ontem.Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)PrudênciaFidel Castro cumprimenta o senador Antonio Carlos Magalhães, velho amigo: comendo moderadamente para fugir à fama de glutãoBiaggio Talento





