Fidel evita polemizar recuo no apoio a Cuba
Agência Estado
O presidente de Cuba, Fidel Castro, de 72 anos, disse ontem que será um observador e um franco-atirador nas reuniões da Cimeira. Cuba é o país mais independente para discutir os temas da cúpula e da globalização, afirmou. O líder cubano optou, porém pela diplomacia ao falar da exclusão do repúdio à Lei Hemls-Burton do documento final do encontro, a Declaração do Rio. A exclusão foi decidida durante a reunião dos chanceleres, no domingo.
Que susto, por um momento pensei que os ianques haviam suprimido a Lei Helms-Burton, disse, em tom de brincadeira, antes de falar sobre a posição de Cuba a respeito da decisão. Fui aconselhado pelos meus assessores mais jovens que não vale a pena discutir esse tema em favor de princípios mais gerais de extraterritoriedade, afirmou, destacando que o Chile também passa por problemas semelhantes desde que o ex-ditador Augusto Pinochet foi preso na Inglaterra.
Em vigor desde maio de 1996, a Lei Hemls-Burton permite à Justiça dos Estados Unidos punir empresas e cidadãos de outros países que fizerem investimentos industriais na ilha. Na reunião dos chanceleres, o ministro das Relações Exteriores cubano, Felipe Pérez Roque, mostrou-se irritado com a retirada da moção de condenação.
Fidel classificou a Cimeira como um encontro histórico, mas não demonstrou muito otimismo quanto aos resultados práticos. Acho que o documento (a Declaração do Rio) é o melhor que os países puderam fazer, afirmou ele, que, apesar da firmeza nas declarações, disse que será disciplinado e respeitará o tempo de cinco minutos que terá para falar na abertura do painel sobre fluxos de investimentos, às 10 horas de hoje.
Sem perder o humor, e o hábito, Fidel falou por uma hora e 33 minutos com os jornalistas sobre os mais variados assuntos. Até mesmo dos livros que leu quando esteve preso, em 1953 - entre os quais, a obra completa de Vitor Hugo, em 10 volumes, e um ensaio sobre a vida do compositor Beethoven. Irônico, disse que sempre foi apontado como demônio pela mídia, e que hoje se sente um velho diabo.





