Havana O presidente de Cuba, Fidel Castro, disse ontem que observa um avanço das forças ''populares e progressistas'' na América Latina, com os possíveis triunfos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Brasil e Lucio Gutiérrez no Equador, mas descartou que isto represente uma ''revolução'' na região.
No caso de Lula e Gutiérrez saírem vitoriosos no segundo turno das eleições em seus respectivos países, eles se verão ''manietados pelas políticas econômicas inventadas'', ressaltou o líder cubano. Fidel repetiu que a América Latina vive uma ''situação explosiva'', com uma dívida externa impagável.
''Agora chegam notícias de vitórias de candidatos progressistas naqueles países. Esses fenômenos não se viam'', disse Fidel, mas advertiu em seguida: ''Não vão acreditar que isto significa uma revolução. Não será fácil fazer mudanças. Não se pode esperar revolução ou mudanças radicais''.
Em Paris, o francês Alain Touraine um dos mais respeitados sociólogos da Europa afirmou que o Brasil conhecerá ''pela primeira vez, em sua história contemporânea, uma alternância pacífica no poder, graças à majestade conferida à presidência da República por Fernando Henrique Cardoso''.
''Agora, seria o caso de José Serra, detentor das mesmas qualidades intelectuais de Cardoso, assumir a liderança da oposição, mas sem espírito de revanche'', aconselhou Touraine, para quem a vitória de Lula no domingo é praticamente certa.

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