Argumento para barrar, de agora em diante, candidatos que não tenham uma vida pregressa de condenações judiciais, o ''Ficha Limpa'' que dá nome à lei complementar 135/2010 também será necessário para nominar o comportamento do eleitor diante do pleito que se anuncia. A análise é do coordenador das eleições em Londrina, juiz Jamil Riechi Filho, em entrevista concedida ontem à FOLHA. O magistrado falou sobre a logística de um processo que, muito embora as decisões da Justiça Eleitoral sejam centradas em Curitiba ou em Brasília - via tribunais Regional Eleitoral (TRE) e Superior Eleitoral (TSE) -, a fiscalização para que ele transcorra regularmente acontece nas cidades onde há votação.
A ''limpeza'' de conduta de quem comparece às urnas foi evocada pelo juiz diante de uma questão que, de uma eleição a outra, invariavelmente acaba voltando à baila: as denúncias de compra de votos. Titular da maior zona eleitoral de Londrina, a 157 - que abrange toda a região Norte da cidade -, com cerca de 72 mil eleitores, Riechi Filho analisou: a ''Ficha Limpa'' não é exclusiva de agente ou futuro agente político.
''A ficha limpa não deve servir só para candidatos. Às vezes simplificamos o político de forma pejorativa, e muitos deles nos dão motivos para isso; a situação não é fácil para eles. Mas precisa haver uma mudança também do eleitor, é necessário haver a consciência de não aceitar esse tipo de aproximação, de tentativa e, ao mesmo tempo, denunciar'', definiu. ''Hoje o eleitor tem um canal muito rápido com a Justiça Eleitoral. Se isso (compra de votos) acontecer amanhã, por exemplo, em um distrito, no momento isso pode até ser difícil, mas que ele nos traga a denúncia no dia seguinte que vamos tomar as providências.''
Segundo o coordenador do pleito, entretanto, a Justiça Eleitoral terá um cuidado adicional em relação às denúncias eventualmente relacionadas a aliciamento de eleitores: ''O eleitor tem que saber que a grande estrela da eleição é ele. Não é a Justiça Eleitoral que escolhe, mas é muito mais fácil confiar em um eleitor que venha e diga que alguém lhe procurou tentando comprar seu voto, do que um representante ou advogado de um partido. Não que não acreditemos neles, mas o eleitor é o responsável pela eleição de bons e maus políticos'', define. E conclui: ''Qualquer tipo de prática - seja compra de votos, propaganda eleitoral irregular ou qualquer outro excesso; provavelmente teremos alguns comícios - pode ser comunicada. Temos meios de intervir no processo e evitar que o mesmo seja prejudicado''.
Nos próximos dias, a Justiça Eleitoral em Londrina conclui a convocação dos mésarios, secretários e presidentes de seção que vão atuar no dia 3 de outubro. No início de setembro, começa o treinamento desse pessoal - entre os quais, espera a coordenação do processo, não faltem também os voluntários.
''Estamos preparando uma logística para dar toda a tranquilidade ao eleitor, que terá dessa vez seis pequenas eleições - uma vez que escolherá nomes para seis cargos. Já os voluntários são necessários às mais diversas funções; basta a pessoa vir até nós que a cadastramos e achamos algo para ela fazer. E se não contássemos com esse espírito altruísta do eleitor que aceita ajudar, teríamos muita dificuldade'', admite.

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