Representantes da Justiça Eleitoral no pleito de ontem, o coordenador do novo segundo turno, o juiz da 42 Zona Délcio Miranda da Rocha, e o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), desembargador Jesus Sarrão, divergiram quanto às mudanças que ambos avaliam ser necessárias a fim de se evitarem eleições ''temporãs'' em situações como a de Londrina.
Para o juiz, por exemplo, uma análise mais apurada dos registros de candidaturas não depende unicamente da Justiça Eleitoral, mas também dos Tribunais de Contas (TCs). ''Os TCs precisam também dar uma solução mais apurada quanto à apreciação das contas dos candidatos'', avaliou.
A FOLHA perguntou ao juiz se ele acha que o critério de uma ficha de processos judiciais (nas esferas cível ou criminal, por exemplo) limpa - defendido pelo Ministério Público (MP) e por setores da sociedade civil organizada, como Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Igreja - seria uma solução para barrar a admissão de candidatos que correriam riscos de cassação. ''Acredito que esse é um dos caminhos, tanto que vai de encontro a um padrão ético da população. Não queremos candidatos envolvidos com a má versação do dinheiro público - essa, pelo menos, é minha opinião como juiz e cidadão.''
Que recado deixa ao eleitor, uma vez que a cassação da candidatura de Antonio Belinati (PP) ainda não foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o juiz respondeu: ''Que a população de Londrina confie na Justiça Eleitoral e compreenda a tramitação de um recurso - foram mais de 6 mil deles, por exemplo, interpostos no TSE''.
Já o presidente do TRE admitiu: enquanto o Congresso não alterar a legislação eleitoral no que tange ao registro de candidaturas e antecipação das convenções partidárias, não há muito o que se fazer para evitar novos pleitos extemporâneos. ''Ainda assim, há que se frisar: sem a autolimitação pelos princípios da legalidade, a democracia se autodestroi. Para a Justiça Eleitoral seria ótimo que os prazos se antecipassem e tivéssemos mais tempo para apreciar as candidaturas, mas há que se considerar também que a democracia é composta por um sistema partidário que veria ficar muito mais cara uma eleição mais longa'', ressalvou Sarrão.
O promotor eleitoral Miguel Sogaiar - que conseguiu barrar no TRE o registro de Belinati com recurso contra a decisão de primeira instância - evitou avaliações sobre a vitória do pupilo do ex-prefeito - Belinati declarou apoio a Barbosa a quatro dias do pleito. ''O Ministério Público tem o sentimento de dever cumprido; porém, creio que dificilmente a situação dele (Belinati) se reverta no Supremo'', aposta ele.

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