O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que lealdade a ele e à sua agenda de trabalho prevista para o restante do mandato ‘‘é pressuposto’’ para a permanência dos ministros no governo. ‘‘Reitero a minha convicção e confiança, não apenas na lealdade - que é pressuposto -, mas na capacidade dos ministros em levar adiante esse programa’’, afirmou FHC.
A cobrança de FHC foi feita ao final da cerimônia de posse dos novos ministros da Previdência, Roberto Brant, e de Minas e Energia, José Jorge, ambos do PFL. Eles substituem os dois ligados ao senador Antonio Carlos Magalhães - Waldeck Ornélas e Rodolpho Tourinho -, demitidos no dia 23 de fevereiro. Na época, em nota, FHC justificou a demissão dos dois carlistas dizendo que esperou que os ministros ‘‘tivessem tornado públicas palavras de confiança no governo e de apreço ao presidente da República’’. Disse ainda que eles não foram exonerados por ‘‘atos que os desabonassem’’.
Ontem, FHC voltou a elogiar a atuação de Ornélas e de Tourinho. ’’(Eles) Cumpriram a agenda que havia sido determinado por mim e que tem a sanção do país, o apoio do país. E cumpriram com correção’’. disse o presidente. Depois, em outros momentos do discurso, voltou a citar as ações de cada um deles e disse que eles haviam ‘‘se empenhado e se esforçado’’ nas suas tarefas.
O presidente fez seu discurso com uma cópia da ‘‘Agenda de Governo Biênio 2001/2002’’ - o documento que contém as ações que ele quer ver realizadas até o final de seu mandato. Em várias oportunidades, citou o documento e o brandiu. ‘‘Diziam que o general Eurico Dutra, quando foi presidente (1946-1950), tinha a Constituição nas mãos. Este é o ‘‘livrinho’ que nós temos. Ele está, todo ele, inspirado na Constituição, mas está inspirado também pela urgência do nosso país de avançar em certos pontos’’, disse o presidente.
Aos novos ministros, FHC pediu a continuidade do trabalho. Na Previdência, insistiu que quer a cobrança previdenciária dos inativos do setor público. ‘‘Saberemos o momento oportuno em que o país esteja esclarecido sobre as razões dessa matéria’’, afirmou.
Na área de Minas e Energia, o presidente disse que o desafio de José Jorge será ‘‘enfrentar questões complexas’’ no que diz respeito ao aumento da geração de energia elétrica por meio de hidrelétricas e de termoelétricas.

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