Agência Estado
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Ação conjuntaO premiê Tony Blair, dona Ruth, Cherie (esposa do premiê) e FHC: plano para aperfeiçoar o relacionamentoO presidente Fernando Henrique Cardoso foi comparado ao imperador romano Júlio César e ao ‘‘governante ideal’’ proposto pelo filósofo grego Platão, ao receber ontem o título de doutor ‘‘honoris causa’’ em direito na Universidade de Cambridge, uma das mais importantes do Reino Unido. O título foi entregue pelo príncipe Philip, o duque de Edimburgo (marido da rainha Elizabeth), em mais uma da série de sofisticadas e tradicionalmente britânicas cerimônias da visita de Estado do presidente, que termina oficialmente hoje. Num discurso em latim, o orador oficial da universidade, Anthony Bowen, disse que a homenagem era ‘‘a um homem que foi habilidoso para reduzir em um ano uma taxa de inflação de 40% mensais a apenas 2%’’.
Também ontem, durante visita à Canning House, instituição filantrópica voltada pata a difusão da América Latina, Fernando Henrique Cardoso disse que o sacrifício imposto à sociedade brasileira pela recente elevação das taxas de juros ‘‘será relativamente pequeno, se comparado à vantagem de ter uma moeda estabilizada’’.
Na véspera, FHC lamentara ter sido obrigado a elevar a taxa de juros, em consequência da ‘‘situação internacional’’, e admitira que ‘‘nos próximos meses, essas medidas representarão um sacrifício para os brasileiros’’. Ontem, disse que as medidas ‘‘pesarão desigualmente’’, porque o governo ‘‘procurou preservar os mais pobres’’. O peso maior, segundo o presidente, será para ‘‘quem tem rendas maiores’’.
O presidente baniu a palavra recessão do vocabulário: ‘‘Não vamos nem falar nisso’’, decretou. Como prova de que não haverá recessão, usou o argumento das privatizações, esta semana, do banco Meridional (‘‘com ágio de 50 e poucos por cento’’) e da companhia elétrica de Sergipe (ágio de 90%).
Também ontem, Fernando Henrique e o premiê britânico Tony Blair assinaram um ‘‘Plano de Ação Conjunta’’, destinado a aperfeiçoar o relacionamento bilateral, em especial na área de comércio e investimentos.
O plano prevê a criação de um Conselho Consultivo Empresarial, no primeiro trimestre de 98. ‘‘O trabalho do conselho consistirá basicamente em promover ações concretas (missões comerciais, seminários, por exemplo) em cada um dos países, para estimular o intercâmbio comercial e os investimentos’, diz a nota oficial.

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