FHC vive dia de glória no Reino Unido
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sexta-feira, 05 de dezembro de 1997
Agência Folha Londres 
Agência Estado
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Ação conjuntaO premiê Tony Blair, dona Ruth, Cherie (esposa do premiê) e FHC: plano para aperfeiçoar o relacionamentoO presidente Fernando Henrique Cardoso foi comparado ao imperador romano Júlio César e ao governante ideal proposto pelo filósofo grego Platão, ao receber ontem o título de doutor honoris causa em direito na Universidade de Cambridge, uma das mais importantes do Reino Unido. O título foi entregue pelo príncipe Philip, o duque de Edimburgo (marido da rainha Elizabeth), em mais uma da série de sofisticadas e tradicionalmente britânicas cerimônias da visita de Estado do presidente, que termina oficialmente hoje. Num discurso em latim, o orador oficial da universidade, Anthony Bowen, disse que a homenagem era a um homem que foi habilidoso para reduzir em um ano uma taxa de inflação de 40% mensais a apenas 2%.
Também ontem, durante visita à Canning House, instituição filantrópica voltada pata a difusão da América Latina, Fernando Henrique Cardoso disse que o sacrifício imposto à sociedade brasileira pela recente elevação das taxas de juros será relativamente pequeno, se comparado à vantagem de ter uma moeda estabilizada.
Na véspera, FHC lamentara ter sido obrigado a elevar a taxa de juros, em consequência da situação internacional, e admitira que nos próximos meses, essas medidas representarão um sacrifício para os brasileiros. Ontem, disse que as medidas pesarão desigualmente, porque o governo procurou preservar os mais pobres. O peso maior, segundo o presidente, será para quem tem rendas maiores.
O presidente baniu a palavra recessão do vocabulário: Não vamos nem falar nisso, decretou. Como prova de que não haverá recessão, usou o argumento das privatizações, esta semana, do banco Meridional (com ágio de 50 e poucos por cento) e da companhia elétrica de Sergipe (ágio de 90%).
Também ontem, Fernando Henrique e o premiê britânico Tony Blair assinaram um Plano de Ação Conjunta, destinado a aperfeiçoar o relacionamento bilateral, em especial na área de comércio e investimentos.
O plano prevê a criação de um Conselho Consultivo Empresarial, no primeiro trimestre de 98. O trabalho do conselho consistirá basicamente em promover ações concretas (missões comerciais, seminários, por exemplo) em cada um dos países, para estimular o intercâmbio comercial e os investimentos, diz a nota oficial.


