Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso vetará o projeto do novo salário mínimo a ser aprovado pelo Congresso e fixará o valor por medida provisória (MP), caso a área técnica entenda que o aumento comprometerá o ajuste das contas públicas.
Na semana passada, o presidente aprovou a proposta da equipe econômica de um mínimo de 150 reais, a partir de 1 º de maio. Ontem à tarde, Fernando Henrique reuniu o núcleo de articulação política do governo e os ministros da Fazenda, Pedro Malan, do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares, da Previdência Social, Waldeck Ornélas, e do Trabalho, Francisco Dornelles. O objetivo é afinar o discurso em defesa do ajuste das contas públicas. O Congresso promete reagir à decisão do governo e continuar brigando por um mínimo de US$ 100. O PFL, capitaneado pelo presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (BA), e os partidos de oposição ensaiam um discurso mais técnico para enfrentar os argumentos do governo.
Os defensores de um mínimo superior a 150 reais tentam fechar números para sustentar que, ao contrário do que argumenta a área técnica do Planalto, o déficit gerado pelo aumento do mínimo tem um impacto menor do que o apontado pelo governo, uma vez que o reajuste gera aumento de arrecadação e crescimento da economia. ‘‘Não há negociação, há tensão; cada um dos lados está tensionando o máximo possível; vamos ver quem solta a corda primeiro’’, disse um influente pefelista, depois de ouvir de ACM um relato da conversa que o presidente do Senado teve ontem de manhã com Malan. ‘‘Não falamos em valores, mas estamos em pólos opostos’’, resumiu ACM ao interlocutor. ‘‘É prerrogativa do presidente decidir sobre o valor do mínimo; e ele vai exercer essa prerrogativa para não comprometer o plano de estabilização econômica’’, afirmou um auxiliar de Fernando Henrique.

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