FHC vai rebater críticas ao Plano Real
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sexta-feira, 04 de setembro de 1998
Cláudia Carneiro e Isabel Braga Agência Estado 
A campanha à presidência da República no horário gratuito obrigatório na televisão e no rádio do candidato Fernando Henrique Cardoso vai incluir imediatamente contra-ataques a todas as investidas da oposição - sobretudo da frente das oposições, comandanda pelo seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva - contra o Plano Real, considerado a pedra de toque da reeleição.
A mudança no tom e posrtura do programa eleitoral, desde quinta-feira, ocorreu após divergências entre integrantes da coordenação de campanha, principalmente os baseados em Brasília, mas o receio de que o alarmismo provocado pela oposição influenciasse o eleitorado foi determinante.
Vai haver uma corrida em favor do real, disse ontem o coordenador político da campanha, Euclides Scalco, ao declarar que toda agressão dirigida ao Plano Real terá resposta. O comitê central continua com a determinação de manter a crise longe da campanha, tanto que a palavra não é usada nos programas de rádio e TV. Mas o discurso insistente da oposição contra o real - e responsabilizando o governo brasileiro pelos reflexos da crise financeira mundial e por não ter se preparado para enfrentá-la - sacudiu os marqueteiros de Fernando Henrique.
A equipe de campanha de Fernando Henrique estava dividida sobre como o eleitor reagiria à estratégia de bater no candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. O próprio candidato à reeleição já revelou que não quer saber de atacar seu principal adversário. Mas com o movimento de oposição, o comitê decidiu reagir: A gente simplesmente não vai deixar a oposição fazer esse alarmismo de um Real II, afirmou um assessor.
A decisão de colocar um programa mais agressivo no ar, na noite de quinta-feira - horas depois de Fernando Henrique ter anunciado seu extenso programa de governo - foi tomada ao meio-dia, pelo coordenador-geral da campanha, Eduardo Jorge Caldas, depois de retornar do Palácio do Planalto.
Os marqueteiros tiraram do arquivo de campanha imagens da disputa eleitoral de 1994 em que Lula, seu então candidato a vice Aloízio Mercadante (PT) e o aliado Leonel Brizola (PDT) desacreditavam o Plano Real lançado havia pouco tempo e diziam que não duraria 30 dias.
O PT está vindo este ano novamente com este discurso meramente eleitoreiro, usa a mesma e antiga tática de tentar amedrontar as pessoas, comentava o locutor do programa de Fernando Henrique. Todos sabem que esse - relacionado à crise - é um problema internacional. O programa de Fernando Henrique terá o tom de defesa do real, mas os mesmos setores da campanha que discordaram da introdução essa mudança continuam insistindo em manter a crise internacional - insistindo que o Brasil está protegido - à distância.
Crise não O porta-voz do Palácio do Planalto, embaixador Sérgio Amaral, após as informações emitidas pelo comitê central do presidente-candidato, disse ontem que o presidente Fernando Henrique Cardoso só tratará de temas de interesse do País nos próximos programas eleitorais. Segundo ele, o presidente não vê razões para transformar a atual crise econômico-financeira em questão de campanha eleitoral.
Diante da insistência dos repórteres de que, no programa de anteontem à noite, o presidente reposicionou a estratégia da campanha ao sair para o ataque contra o seu principal adversário, o candidato da frente de oposições, Luiz Inácio Lula da Silva, Amaral ressaltou: O que o presidente falou, falou porque é um tema do noticiário. Mas não vai transformar isso em tema de campanha, insistiu.
O embaixador Sérgio Amaral também desautorizou qualquer análise que indique ou venha a insinuar uma situação de caos no País por causa da crise mundial. Não aceito a palavra caos. A situação do País é de absoluta tranquilidade, disse o porta-voz, ao negar que o presidente possa vir a fazer um pronunciamento à Nação a respeito do assunto.


