FHC vai liberar verba com restrições
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quarta-feira, 22 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)ContabilidadeNey Suassuna e José Serra: remanejamento de verbas, a pedido dos parlamentares, devem chegar a R$ 3 biO governo está disposto a liberar os recursos orçamentários das emendas apresentadas pelos parlamentares até o fim de junho, antes do início da campanha eleitoral de 1998, mas não aceita que o Congresso mexa no dinheiro reservado para o pagamento de juros da dívida pública. A informação é do vice-líder do governo, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), que participou das negociações da Comissão Mista de Orçamento. O governo poderá liberar as verbas até junho para que não sejam bloqueadas pela lei eleitoral, desde que tudo seja razoável, afirmou. Tirar dinheiro dos juros significa emitir título e aumentar a dívida, e isto não é nada razoável, argumentou.
Pelos cálculos do líder, o total de verbas das emendas do Congresso deve ficar em torno de R$ 2,4 bilhões (R$ 900 milhões das emendas individuais e R$ 1,5 bilhão das coletivas). Na estimativa do presidente da Comissão, senador Ney Suassuna (PMDB-PB), os remanejamentos devem atingir R$ 3 bilhões. Madeira rejeitou a idéia, defendida por Suassuna, de que os recursos para as emendas dos parlamentares sejam retirados da verba prevista para o pagamento dos juros da dívida pública.
Para Madeira, o dinheiro das emendas dos parlamentares poderia ser retirado da verba de custeio ou da reserva de contingência. Se inflar o orçamento, o governo terá de contingenciar as verbas como fez este ano.
O vice-líder também confirmou que começarão a ser liberadas verbas para as emendas dos parlamentares ao Orçamento deste ano. Dos R$ 2,2 bilhões reservados em 1997, foi liberado, segundo reconhece o próprio vice-líder, uma parte insignificante. O deputado Paulo Bernardo (PT-PR), integrante da Comissão de Orçamento, afirmou que até setembro deste ano o governo liberou apenas 5% das emendas individuais dos parlamentares. Concordo que o Orçamento deva ser o mais real possível, sem contingenciamento, mas para os quatro anos, disse. Liberação apenas em ano eleitoral fica parecendo que o motivo é a campanha.
No total, os parlamentares apresentaram cerca de 8.800 emendas. Mas as disputas eleitorais acabaram tornando inviável a apresentação de emendas coletivas por bancadas de pelo menos três Estados: Roraima, Rondônia e Amazonas. Por exigência regimental, as emendas coletivas ao Orçamento só podem ser apresentadas com a assinatura de 75% dos parlamentares que integram a bancada. Roraima e Rondônia não apresentaram nenhuma emenda coletiva.


