O primeiro programa da campanha eleitoral de rádio e TV do presidente Fernando Henrique Cardoso, que vai ao ar ao meio-dia do dia 18, será marcado por apenas uma entrevista. Fernando Henrique foi entrevistado ontem durante a gravação do programa pelo jornalista Rodolfo Gamberini. Nesta entrevista, de apenas cinco perguntas, FHC falará da sua vida pessoal e um pouco da sua vida política.
Ele se apresentará pela primeira vez aos brasileiros como candidato. No programa a ser veiculado no mesmo dia à noite, FHC fará um balanço do seu governo mostrando as ações que estão sendo desenvolvidas e apresentará alguns pontos do seu novo programa de governo que será divulgado paulatinamente durante a campanha eleitoral.
O coordenador de marketing da produtora GW, Rui Rodrigues, explicou que o programa eleitoral de Fernando Henrique não contará mais com ‘‘os cinco dedos’’ e nem terá um símbolo definido. A marca da campanha é o slogan ‘‘Avança Brasil’’ e o presidente se dirigirá à nação sempre chamando de ‘‘meus amigos e minhas amigas’’. Rui Rodrigues garantiu também que FHC não baixará o nível da campanha.
Ataques A direção da campanha da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu poupar de ataques o candidato da frente de oposição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Não é bom-mocismo nem soberba de favorito; é para poupar esforços. A última avaliação das pesquisas, feita numa reunião ampliada do comando, domingo no Palácio da Alvorada, indicou que o governo não tem argumentos para tirar de Lula seu contingente eleitoral consolidado e tradicional, que os analistas situam num nível histórico de 20%. O objetivo da campanha é conquistar para Fernando Henrique a mais ampla faixa possível do eleitorado fora desse campo.
Para atacar o candidato da frente de esquerdas, a campanha da reeleição conta com o ‘‘desespero’’ do candidato do PPS à Presidência, o ex-ministro Ciro Gomes. Na avaliação dos governistas, a candidatura Ciro frustrou-se como alternativa política a Fernando Henrique e só tem sentido agora para fustigar a oposição de esquerda mais consistente.
Os analistas da reeleição esperam um ligeiro crescimento do candidato do PPS no Sul e entre eleitores não-petistas decepcionados com Fernando Henrique - movimento que pretendem evitar com a estratégia adotada a partir de domingo. Mesmo que Ciro cresça um pouco nos Estados do Sul, espera o comitê, isso deve ser compensado por uma expressiva perda de votos no Ceará, único Estado em que ele lidera as pesquisas, caso o governador Tasso Jereissati (PSDB) entre em campo para defender Fernando Henrique.
Até agora, Tasso permitiu ampla liberdade de movimentos ao amigo Ciro em seu reduto. Mas isso vai mudar, garantiu o governador ao comando da campanha. ‘‘Tasso estava apenas esperando o momento certo para defender o presidente’’, assegura um conselheiro do comitê. ‘‘Só não queria não antecipar um choque com Ciro, que agora é inevitável.’’
A estratégia será revista de acordo com as circunstâncias. O comício de encerramento pode nem ocorrer, caso as pesquisas sugiram que Fernando Henrique ganha mais votos comportando-se como presidente do que como candidato.
Claro que o exemplo é de uma situação limite. Mantido o favoritismo, o presidente fará sua aparição final no palanque em que for mais útil para estimular a vitória de um aliado. No cenário mais otimista, o comício final seria no Rio Grande do Sul ou no Distrito Federal, as fortalezas do PT.

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