Agência Estado
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DesconhecimentoFernando Henrique cumprimenta senador Sarney, presidente do Conselho: ‘muitos não sabem os benefícios da reforma’ O presidente Fernando Henrique Cardoso vai conhecer hoje a região atingida pela seca do Nordeste. Ele escolheu a cidade de Tejuçuoca, uma das mais pobres do Ceará e do País, com renda per capita de R$ 28,29. A visita estava programada para o fim da semana, mas foi antecipada depois que Fernando Henrique visitou o Rio de Janeiro e acabou tendo de responder a perguntas sobre as razões pelas quais o governo federal não toma atitudes mais firmes em relação à seca.
Tejuçuoca fica a 134 quilômetros de Fortaleza, na região Oeste do Ceará, no Vale do Curu. Na visita, Fernando Henrique será levado pelo governador do Estado, Tasso Jereissati, a conhecer um programa do governo, de alternativas para a seca. Trata-se de uma cerâmica que está ocupando a mão-de-obra dos que investiram na lavoura e perderam tudo. O presidente visitará também uma plantação prejudicada pela seca.
Fernando Henrique sai de Brasília por volta das 8 horas, com chegada prevista em Fortaleza para as 10h20. Às 10h30 ele embarca, com o governador Jereissati, em um helicóptero, diretamente para Tejuçuoca. Às 14 horas o presidente retornará à Base Aérea de Fortaleza e tomará o Boeing presidencial para Brasília. Ao todo, ele deverá ficar no Ceará por cerca de três horas e meia.
Na quinta-feira, a presidente do conselho do programa Comunidade Solidária, a primeira-dama Ruth Cardoso, irá ao Ceará acompanhada do ministro da Educação, Paulo Renato Souza, e de 20 reitores de universidades brasileiras, para a assinatura do protocolo de um programa de alfabetização de agricultores adultos. A intenção, segundo o governo do Ceará, é ensinar cerca de 20 mil plantadores de roça a ler.
A assinatura do protocolo ocorrerá em Fortaleza, ao meio-dia de quinta-feira. Logo depois, dona Ruth, o ministro Paulo Renato e os reitores seguirão para Ibaretama, a 150 quilômetros de Fortaleza, na região central do Estado do Ceará, para conhecer uma sala de aula modelo na alfabetização de adultos. As universidades cuidarão de escolher os professores que participarão do programa. O programa de alfabetização deverá ter início no segundo semestre.
O presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu ontem que as negociações com o Congresso em torno das reformas não acontecem no que chamou de ‘‘ambiente de assepsia’’ que espera a sociedade. Num discurso feito para uma platéia composta de 13 ex-chefes de Estado mundiais, economistas e diplomatas, durante a abertura da 16ª Reunião do Conselho de Interação Mundial, no Hotel Glória, no Rio, o presidente afirmou que, nessa negociação, existem outros fatores que não apenas o interesse público.
‘‘A sociedade se impacienta, com razão, pela necessidade de negociações nem sempre nos moldes em que se gostaria que elas procedessem, tendo em vista apenas o interesse público’’, disse. ‘‘Muitas vezes, há elementos que se introduzem nessas transformações, que têm a ver com a dinâmica dos interesses político-partidários e que ferem a necessidade de rapidez e mesmo a expectativa de que tudo se processe num ambiente de maior assepsia’’.
Mais tarde, para os jornalistas, Fernando Henrique garantiu que não haverá uso eleitoreiro na distribuição de alimentos para os flagelados da seca no Nordeste. ‘‘O Brasil mudou muito, ninguém vai fazer exploração e, contra isso, só tem uma saída, que é a participação da população’’, afirmou. ‘‘Temos a experiência da seca de 1993, quando houve a organização de comitês nas cidades e, agora, isto está mais ou menos sedimentado.’ Para o presidente, tanto a exploração na distribuição das cestas básicas, quanto o uso político, não podem acontecer. ‘‘Duas explorações não podem ser feitas: uma, a local, e a outra, política, que é usar a seca para fazer voto, obter vantagens, seja quem distribui alimentos, seja quem faz demagogia.’
O conselho, uma organização não-governamental que reúne ex-líderes mundiais, tem como presidente honorário o ex-chanceler alemão Helmut Schmidt. A reunião brasileira é presidida pelo senador José Sarney (PMDB). Para público tão seleto, o presidente fez questão de citar o pensador italiano Nicolau Maquiavel para justificar a dificuldade das reformas. ‘‘Há uma famosa frase de Maquiavel, que dizia que, quando se começa a reformar, os que virão a se beneficiar ainda não sabem disso e os que começam a perder sabem de imediato’’, lembrou.
Fernando Henrique destacou as vitórias obtidas pelo governo nas votações no Congresso e acentuou que, no caso da Previdência, falta pouco para que as mudanças propostas por ele sejam aprovadas. ‘‘Estamos à espera ainda de alguns poucos votos no Congresso para darmos um passo fundamental na direção dessa transformação’’, disse. Ele explicou o processo de privatização em execução no Brasil e justificou a criação das agências estatais reguladoras. ‘‘Sem elas, há o risco efetivo de que a privatização se transforme não no instrumento que almejamos, ou seja, de melhoria das condições de vida do povo, mas pura e simplesmente em aumento de eficiência, em formas de competição privada’’, advertiu.

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