O presidente Fernando Henrique Cardoso chegou ontem a São Paulo às 19h25 para visitar o governador licenciado Mário Covas (PSDB). FHC foi recepcionado pelo governador interino de São Paulo, Geraldo Alckmin, e seguiu para o 6º andar do Instituto do Coração (Incor), onde está Covas, mas acabou não conversando com ele. Segundo o presidente, Covas estava dormindo e ele não quis incomodá-lo.
‘‘Estamos todos na torcida’’, afirmou o presidente aos jornalistas, logo após deixar o quarto do Incor. ‘‘A determinação e a vontade contam muito nesta hora’’, afirmou, sobre a luta do governador para enfrentar a doença.
Segundo Fernando Henrique, Covas ‘‘surpreendeu’’ os médicos, a família e os amigos com sua proeza para enfrentar cada obstáculo que enfrenta desde que a descoberta da doença. ‘‘Se os médicos, eles próprios têm reservas quanto a falar sobre o que vai acontecer, eu que não sou médico confio na capacidade de resistência do Mário’’, disse o presidente, que disse ter ido ao hospital ‘‘como o amigo Fernando Henrique’’. Hoje pela manhã, ele deve voltar ao Incor.
O governador em exercício Geraldo Alckmin, que recebeu o presidente no Aeroporto de Congonhas, acompanhou-o ao 6º andar do Incor e, depois, permaneceu sentado ao lado de Fernando Henrique enquanto ele fazia sua declaração. O presidente reafirmou que ‘‘nada foi escondido’’ sobre o estado de saúde do governador, mas que todos sabem que ‘‘cada organismo é um organismo’’, numa referência à capacidade de Covas de enfrentar e superar as dificuldades.
O terceiro dia de internação de Covas foi marcado pela visita de outros tucanos do alto escalão do governo federal. Políticos, empresários e religiosos não puderam subir até o sexto andar do Incor. Até a irmã do governador licenciado, Nídia, permaneceu a maior parte do tempo no térreo. Covas esteve com os familiares mais próximos: a mulher, Lila, e os dois filhos, Renata e Mário Covas Neto, o Zuzinha.
O primeiro a chegar foi o ministro Paulo Renato Souza (Educação), pouco depois do meio-dia. Por volta das 16 horas foi a vez do ministro José Gregori (Justiça). Também estiveram no Incor o presidente de Itaipu, Euclides Scalco, um dos fundadores do PSDB, e o líder do governo na Câmara dos Deputados, Arnaldo Madeira, também tucano.
O ex-presidente da Câmara dos Deputados Michel Temer (PMDB-SP) também esteve no Incor e deixou um bilhete para o governador. Além de aliados, muitos políticos de oposição ao governo tucano também estiveram no Incor. Dezenove vereadores paulistanos – do PT ao Prona – estiveram em comitiva no hospital para, segundo eles, ‘‘levar solidariedade, força, fé e esperança’’.
O presidente da CUT, João Felicio, afirmou que, apesar das divergências políticas, não poderia deixar de manifestar apoio a Covas. Também visitaram Covas o senador Romeu Tuma (PFL), o deputado federal Emerson Kapaz (PPS-SP) – ex-secretário de Covas, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o empresário Mario Amato, a viúva do ex-ministro Sérgio Motta, Wilma Motta, o bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo dom Gil Antônio Moreira.

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