FHC vai ajudar CPI do Narcotráfico
Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso vai receber hoje os parlamentares integrantes da CPI do Narcotráfico, que lhe entregarão uma relação de reivindicações para melhor andamento dos trabalhos de investigação do crime organizado no País. Ontem, o presidente disse, por intermédio do seu porta-voz, Georges LamaziSre, que está disposto a atender na medida do possível, tudo o que for preciso para agilizar os trabalhos da comissão e afirmou que contribuirá com a CPI. O próprio Fernando Henrique, segundo seu porta-voz, enfatizou que pediu o encontro.
O general Alberto Cardoso, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, participará da reunião, juntamente com o ministro da Justiça, José Carlos Dias. O secretário Nacional Antidrogas, Walter Maierovitch, está viajando. O encontro também vai oficializar a criação do Núcleo de Combate à Impunidade, proposta apresentada ontem pelo ministro Dias.
O presidente negou que a decisão de marcar o encontro tenha como motivação a melhora dos índices de popularidade. Não custa lembrar que o presidente não se move por índices de popularidade, disse o porta-voz. O presidente está preocupado em resolver os problemas do País. A criação do Núcleo não vai se chocar com o trabalho da CPI, na avaliação do governo. A expectativa presidente é que a CPI prossiga os trabalhos, que estão sendo muito bem feitos, disse.
Um delegado de 35 anos, especialista no combate à lavagem de dinheiro, foi escolhido ontem pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias, para compor o Núcleo de Combate à Impunidade. O delegado Fernando Duran é da Polícia Federal de São Paulo e fez cursos sobre lavagem de dinheiro e realização de forças-tarefa. Dias afirmou que o governo vai acelerar a entrega de documentos à CPI do Narcotráfico.
Além do delegado Fernando Duran, o ministro José Carlos Dias escolheu para compor o Núcleo o procurador de Justiça aposentado José Roberto Antonini. Os dois escolhidos, que irão trabalhar como representantes do Gabinete do Ministro, eram conhecidos de Dias. Duran trabalha no Grupo de Combate ao Crime Organizado da PF, em São Paulo, e Antonini foi coordenador do Sistema Penitenciário quando Dais foi secretário de Justiça no governo Franco Montoro.
Dias afirmou que o presidente Fernando Henrique Cardoso achou ótima a idéia de se criar um Núcleo de Combate à Impunidade, para ações policiais de emergência nos Estados. O grupo ainda será composto por dois procuradores da República, um representante do Banco Central e outro da Receita. O ministro da Justiça pretende incluir ainda um representantes da área de inteligência do Palácio do Planalto.
O ministro da Justiça disse que o grupo será uma espécie de UTI Móvel contra o crime organizado. Os integrantes do grupo irão pedir quebra de sigilo e escuta telefônica aos juízes das cidades onde estiverem atuando. É hora de dar um basta, da intervenção, dura e séria, disse o ministro. Numa referência à operação Mãos Limpas na Itália, o ministro disse que prefere dizer que o Núcleo vai colocar as mãos na lama.Presidente recebe hoje integrantes da comissão, que vão pedir meios para facilitar os trabalhos de investigação
Arquivo FolhaSUJEIRAMinistro Dias, da Justiça: É hora de dar um basta, da intervenção, dura e séria; (vamos colocar) as mãos na lama





