FHC vai a Londres atrair investidores
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sábado, 08 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso embarca hoje para a Inglaterra, onde na segunda-feira participa como convidado de honra da conferência Link into Latin America, em Londres. O objetivo do encontro é promover a América Latina entre os investidores britânicos para recolocar a Grã-Bretanha na posição de grande parceiro comercial e investidor na região, de preferência como ligação da Europa com os latino-americanos. Ainda na segunda-feira, o presidente e comitiva vão para Roma, na Itália.
O primeiro-ministro britânico, John Major, abrirá o encontro em Londres, do qual participarão mais de 450 convidados, entre eles três chefes de Estado (Brasil, Peru e Panamá), vários ministros britânicos e latino-americanos e os presidentes de grandes empresas do Reino Unido de vários setores. Segundo o embaixador brasileiro em Londres, Rubens Barbosa, ainda há muito desconhecimento sobre o Brasil e América Latina entre os principais executivos das grandes empresas britânicas - o público alvo da conferência. Ele explicou que apenas o segundo escalão das empresas que já têm negócios com os países latino-americanos conhecem o potencial da economia e do mercado da região.
A palestra que Fernando Henrique fará aos empresários deve ocorrer ao mesmo tempo em que o governo brasileiro estará apresentando na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, a proposta para abertura do setor de telecomunicações. O governo brasileiro tem adotado uma posição firme em relação às pressões norte-americanas para apressar a abertura do setor. Os ingleses, como os Estados Unidos, são contrários à limitação em 49% de participação do capital estrangeiro no controle acionário das empresas operadoras. O recado que tem sido dado pelo Brasil é o de que o País defende a abertura do mercado, mas não de acordo com os interesses dos outros países.
Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda, reforça que os investidores europeus estão interessados em saber detalhes da regulamentação do setor de telecomunicações. Querem também avaliar melhor até que ponto ainda há no Brasil risco de uma crise no sistema financeiro e em que medida o governo está tranquilo quanto a isto.
O governo, avalia Maílson, não deverá ter dificuldades em explicar lá fora que o processo de reformas estruturais é demorado e complexo. Ele ressalta que mesmo os países europeus não conseguiram fazê-las rapidamente. A ex-primeira-ministra Margareth Thatcher só iniciou as privatizações em seu segundo mandato. A França também não concluiu sua reforma do sistema previdenciário.
Desde o primeiro semestre de 1995, quando o Congresso aprovou as reformas da Ordem Econômica, que representaram a queda de princípios, as reformas administrativa, da Previdência e tributária arrastam-se no Legislativo. Mas após a avaliação da reeleição, que deverá ser completada em abril pelo Senado, a expectativa é de que o Congresso se volte para as reformas.
Investidores mais atentos e bem informados sobre as medidas do governo brasileiro para melhorar a situação fiscal sabem que houve alguns avanços. O governo fechou acordos de
refinanciamentos das dívidas com 16 dos 27 Estados. A situação de descalabro fiscal nos Estados tem sido um dos principais fatores para o aumento do déficit público.


